Organizadores saibam que corredor não é boi

...está na hora de saberem que corredor não boi (foto:  )
…está na hora de saberem que corredor não boi (foto: )

Fico estarrecido como os corredores são tratados em algumas provas brasileiras, principalmente, nos chamados “currais”, o nome já dá uma breve idéia de como deve ser. Para quem não sabe “curral” é o jargão que corredores usam para designar as baias de largada.

A pior delas, sem sombra de dúvida, é da Corrida Internacional de São Silvestre. Com largada às 17h, que na realidade são 16h devido ao horário de verão, existem corredores que chegam a se posicionar para a largada com até três horas de antecedência e para assim poderem largar sem perder muito tempo.

Mas com o excesso de gente os problemas logo acontecem. Entre os mais comuns, se destaca a aglomeração e o empurra-empurra, mas, o pior e mais desagradável de todos é o mar de urina que se transforma o local.

Em parte esse problema acontece porque os corredores ficam horas de baixo de sol e calor se hidratando, e, fisiologicamente a vontade de urinar aparece, só que ao invés de utilizarem os banheiros químicos, simplesmente, se agacham e fazem tudo ali mesmo.

Neste caso são dois os culpados: a organização da prova, que não tenta amenizar esse problema, com um melhor planejamento da área de largada, utilizando-se de mais banheiros químicos, por exemplo. E evidentemente os maiores culpados são os próprios atletas, esses por falta de educação, respeito e de cidadania.

Um exemplo bem sucedido é a Maratona de Nova York, que tem o dobro de competidores da prova brasileira e nem de longe apresenta tais problemas. Uma das soluções encontradas foi dividir os corredores por grupos de tempos e esses ficam posicionados nas ruas laterais da Verrazano Bridge, onde acontece a largada. Meia hora antes do tiro de canhão é autorizada a entrada dos participantes na ponte, minimizando os efeitos indesejáveis de uma longa espera.

Além disso, essa simples medida mostra respeito da organização para com o atleta. A São Silvestre cobra por inscrição a bagatela de R$65, valor alto para uma prova que não dá tratamento diferenciado.

Já em Nova York, “sorry” (desculpe) é uma das palavras mais ouvidas quando os corredores estão a postos na Verazzano Bridge. Isso acontece porque em um simples esbarrão seu colega se desculpa, já que existe uma distância mínima entre os atletas. Claro que aqui entra a questão cultural, da educação e respeito que tradicionalmente existe entre as pessoas nos países ditos de primeiro mundo.

Vejo que essa medida (pré-baias) se implementada na São Silvestre amenizaria em muito o atual problema. Os atletas poderiam ficar em baias laterais formadas por duas a três ruas (sem afetar a logística do evento) como a divisão de público existente no meio da pista ou o local da estrutura da largada.

É importante que a organização da São Silvestre não somente pense que já tem mais de 80 edições nas costas, mas sim, que pode ter outras 80 a frente se manter o interesse dos corredores.

Este texto foi escrito por: Harry Thomas Jr.

Redação Webrun

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