Os Porta Bandeiras do Brasil em Jogos Olímpicos

Sandra Pires: medalha de ouro em Atlanta 96 foi a primeira mulher brasileira a se tornar porta bandeira (foto: Divulgação)
Sandra Pires: medalha de ouro em Atlanta 96 foi a primeira mulher brasileira a se tornar porta bandeira (foto: Divulgação)

Todos os atletas e participantes reconhecem a Cerimônia de Abertura como o grande momento, o momento mais marcante dos Jogos Olímpicos. Participar de um desfile de abertura é de uma grandeza que só os que já participaram podem saber a emoção e o sentimento que toma conta neste momento.

E, imaginem a sensação e emoção vivenciados por aquele que é escolhido para carregar a bandeira brasileira nesta Solenidade. Joaquim Cruz, que venceu a medalha de ouro em 1984 e prata em 1988 disse que a emoção vivida por ele em 1996 em Atlanta quando foi o nosso Porta Bandeira é indescritível e comparável à conquista de uma medalha olímpica.

A Escolha do Porta Bandeiras é de uma grande importância e quando assistimos pela Televisão ou mesmo pessoalmente vemos o cuidado e atenção que a grande maioria dos Países dão a esta escolha. Abrindo o desfile das delegações dos diversos Paises encontramos verdadeiros monstros sagrados do esporte mundial e nomes de grande prestígio não só pelas conquistas esportivas como sobretudo pela grandeza moral e prestígio que tem perante a população de seus respectivos Paises. Outros Países adotam a escolha de um dirigente para a difícil missão, mas nos dias de hoje pós Televisão está cada vez mais raro encontrar um dirigente carregando a bandeira de seu País em uma cerimônia de abertura e quando se encontra é oriundo de um País de pouca expressão quer política que esportiva.

Na estréia do Brasil em Jogos Olímpicos em 1920 o escolhido para esta difícil missão foi Afrânio Antonio da Costa , do tiro ao alvo e que retornou de Antuérpia com duas medalhas , sendo uma individual em Pistola Livre e uma de bronze por equipes em Pistola Livre.

Em nossa segunda participação em Paris em 1924 o escolhido foi Alfredo Gomes do atletismo que participou do Cross Country e que não concluiu o percurso assim como 23 outros concorrentes que foi concluída por apenas 15 participantes e que foi disputada sob severas condições de terreno e climática.

Em 1928 o Brasil não participou dos Jogos Olímpicos e em 1932 em Los Angeles o nosso Porta Bandeira veio também do Atletismo com Antonio Pereira Lira, praticante do arremesso do Peso que teve uma fraquíssima participação nos Jogos queimando seus arremessos.

Em 1936, em Berlin o escolhido para a importante missão foi o atleta e muitos anos depois Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Sylvio de Magalhães Padilha realmente um dos melhores atletas da época, que já havia participado dos Jogos de Los Angeles e que em Berlim chegou até a final dos 400 metros s/barreiras com um expressivo 5º lugar. Padilha é dos poucos casos no mundo que foi atleta olímpico, Porta bandeira de seu Pais e depois dirigiu o Comitê Olímpico de seu País.

Em 1948 novamente Sylvio Magalhães Padilha foi o escolhido para ser o Porta Bandeira em virtude de suas conquistas passadas e posições de liderança na classe esportiva do País.

Em Helsinqui em 1952 o escolhido foi Mario Jorge da Fonseca Hermes , do basquete homenageando a seleção medalha de bronze no basquete em 1948 e neste ano de 1952 o basquete cumpriu um bom papel terminando em 6º lugar.

Para os Jogos de 1956 em Melbourne a escolha de nosso Porta Bandeira era inquestionável e só poderia ser mesmo o campeão Olímpico de 1952, o grande Adhemar Ferreira da Silva que em Helsinqui não só havia ganho a prova de forma espetacular como havia quebrado o recorde mundial com 16,22 metros. Uma escolha justa de um grande campeão olímpico e de um grande homem para esta importante missão e diga-se mais que sempre foi um exemplo como ser humano, alem dos excepcionais dotes atléticos. E, Adhemar não deixou por menos conquistando novamente outra medalha de ouro em Melbourne com 16.35 novo recorde olímpico.

Em 1960, em Roma nada mais justo que entregar novamente a Adhemar Ferreira da Silva a missão de ser o porta bandeiras em sua despedida das pistas pois logo após os Jogos descobriu que estava com Tuberculose Ganglionar e passou por um longo processo de recuperação.

Em 1964, em Tóquio e numa homenagem a um grande atleta e em reconhecimento à medalha de bronze conquistada pela seleção de basquete outro grande nome do esporte foi escolhido para ser o Porta Banderias. Trata-se de Wlamir Marques uma lenda no esporte pelo seu estilo, sua habilidade, sua garra e também por sua liderança junto ao time , e, novamente com muita luta e dedicação o Brasil traz de Toquio nova medalha de bronze no basquete.

Nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, o Porta Bandeira s não foi um ex medalhista mas não podemos deixar de reconhecer os méritos de João Gonçalves Filho, do Pólo Aquático pois estava participando de sua 5ª Olimpíada representando o nosso Pais e natação e pólo aquático pois já havia participado anteriormente de 1952,1956,1960 e 1964.

Nos Jogos de Munich em 1972, a missão foi novamente entregue a um jogador de basquete , desta vez Luiz Cláudio Menon, certamente um grande homem e um jogador de prestigio numa seleção que terminou em 7º lugar.

Em 1976 o Porta Bandeira , com justiça foi o Campeão Pan Americano e recordista mundial João Carlos de Oliveira, do salto triplo que acabou conquistando a medalha de bronze com 16,90 metros.

O eleito para ter a honra de abrir o nosso desfile em Moscou em 1980 como nosso Porta Bandeira foi novamente João Carlos de Oliveira que nos trouxe novamente a medalha de bronze que chegou a ser muito questionada uma vez que diz-se até hoje que teria conquistado a de ouro não fosse a parcialidade da arbitragem russa.

Em Los Angeles em 1984 um iatista foi escolhido pela primeira vez para ser o Porta bandeiras e Eduardo Souza Ramos teve esta honra num reconhecimento à grande participação do iatismo em Moscou quando nos trouxe 2 medalhas de ouro nas classes 470 e Tornado se bem que Eduardo Souza Ramos não tivesse participado de nenhuma das duas. Eduardo participou da classe Star e terminou em 12º lugar.

O Judoca Walter Carmona que havia sido medalha de bronze em 1984 foi o encarregado de ser o nosso Porta Bandeira em Seul em 1988 exatamente nos Jogos que consagraria outro judoca Aurélio Miguel com sua medalha de ouro na categoria meio pesado.

Em 1992 no solo catalão de Barcelona o medalhista de ouro Aurélio Miguel foi o escolhido e o judô conquistou nova medalha de ouro não com o Porta bandeira e sim com o meio leve Rogério Sampaio.

Em 1996 , em Atlanta a escolha do Porta Bandeiras foi justissima e Joaquim C. Cruz, medalha de ouro em Los Angeles e prata em Seul carregou com toda a solenidade e respeito a nossa bandeira no desfile de abertura , e confessa ter sentido uma enorme emoção, semelhante às de suas medalhas olímpicas em que pese não ter competido nestes Jogos em função de uma contusão pouco tempo antes,em que pese ter conseguido.

Em 2000 em Sydney pela primeira vez foi escolhido um atleta do Voleibol e pela primeira vez foi escolhida uma mulher para carregar a nossa bandeira na Cerimônia de Abertura. A escolhida foi a jogadora de Vôlei de Praia Sandra Pires que havia conquistado a medalha de ouro em 1996 jogando em dupla com Jacqueline Silva. Em Sydney Sandra jogando em dupla com Adriana Samuel nos trouxe a medalha de bronze.

E agora em Atenas a quem caberá a honra de ser o porta bandeira no desfile de abertura? Para nós não resta a menor duvida que caberá a um iatista ficando a duvida entre Robert Scheidt, medalha de ouro em Atlanta e prata em Sydney ou se a Torben Grael , veterano , com 5 participações olímpicas e também super consagrado com medalha de prata em 1984, bronze em 1988, ouro em 1996 e bronze em 2000.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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