Patrick Makau duela com Haile Gebrselassie e bate o recorde mundial

O queniano Patrick Makau bateu o recorde mundial na Maratona de Berlim 2011 (foto: Avda/Wikimedia Commons)
O queniano Patrick Makau bateu o recorde mundial na Maratona de Berlim 2011 (foto: Avda/Wikimedia Commons)

A 38ª Maratona de Berlim, que ocorreu no domingo (25/09), atingiu todas as expectativas, com o sétimo recorde mundial em 13 anos, conquistado pelo campeão Patrick Makau, do Quênia. Ele primeiro quebrou Haile Gebrselassie e depois bateu o recorde do etíope, com a marca de 2h03min38. No feminino, outro sucesso queniano, com a vitória de Florence Kiplagat, em 2h19min24.

A corrida masculina foi marcada pelo duelo entre Gebrselassie, de 38 anos, e o jovem Makau, de 26 anos, até a metade em diante da maratona, quando os dois atletas eram acompanhados por seis pacers quenianos, juntamente com Edwin Kimaiyo, John Kyui e Emmanuel Samal, também do Quênia.

Com a intenção de completar metade da prova em 62 minutos, o grupo preparou a trajetória para o eventual triunfo de Makau, que ultrapassou a marca dos 21 quilômetros em 61min44. Gebrselassie também estava na liderança do grupo, aproveitando o vácuo dos pacers neste começo da competição. Ele começou a perder a vantagem entre o quilômetro 24 e o 25, que provou ser um sinal de que algo iria acontecer.

No quilômetro 26, Makau decidiu acelerar e ultrapassou seus colegas (Kyui, Kimaiyo e Samal) e começou a se preocupar com Gebrselassie. O atleta passou os pacers e começou a correr em ziguezague, como tentativa de abalar o etíope. Funcionou quase imediatamente, já que cerca de 200 metros depois Gebrselassie desistiu da competição. Enquanto Makau continuava a investir na quebra do recorde do etíope, este agitava sua mão para indicar dificuldades respiratórias. Ainda assim, cerca de um minuto depois, o atleta se recuperou e começou a buscar sua posição.

Makau já estava longe, mas Gebrselassie ultrapassou Kimaiyo e recuperou a segunda colocação. Apesar de ter se mantido como vice até o 35º quilômetro, o maratonista abandonou a disputa momentos depois. Teria sido muito difícil combater Makau, já que o atleta correu a segunda metade da prova em 61min54, apenas dez segundos mais lento do que o grupo na primeira metade.

Ao seguir em direção da chegada paralela feminina, Makau teve que diminuir o ritmo temporariamente, antes que pudesse cruzar a linha de chegada e quebrar o antigo recorde de Gebrselassie (2h03min59), de 2008, com 2h03min38.

Makau comentou sobre os movimentos que eliminaram o etíope. “É uma de minhas táticas. Eu fiz alguns ziguezagues para confundi-lo. Eu tenho muita energia e queria cansá-lo. Ele estava tentando me usar para manter o ritmo e eu queria correr sozinho, tanto atrás dele ou ao lado. Então corri para um lado e ele me seguiu, depois fui para o outro lado e, na vez seguinte, já não conseguia mais vê-lo”, comenta o campeão.

“Este recorde mundial é muito importante para os quenianos, especialmente por ter batido os etíopes. Todos no Quênia ficarão muito felizes por mim. Meu assessor está recebendo várias ligações de lá e fiquei sabendo que havia várias pessoas assistindo a corrida em televisões de bares e quebrando garrafas quando marquei o recorde”, continua o maratonista.

A temperatura estava em torno dos dez graus na largada e chegou a 16 graus na chegada do masculino, mas Makau acredita que o sol em seu rosto fez parecer mais quente. Apesar disso, acredita que poderia ter corrido ainda mais rápido. “Eu só tive o pacer até o quilômetro 32, então fiz os últimos dez quilômetros sozinho. Acho que se alguém estivesse comigo, eu poderia ter corrido mais rápido, mas acho que outros poderiam correr mais rápido também. No quilômetro 32, eu sabia que podia vencer e bater o recorde mundial, mesmo que tenha feito a parte final sozinho. Hoje foi meu dia”, finaliza o novo recordista.

Na sexta-feira (23/09), em uma coletiva de imprensa, Gebrselassie falou sobre o relativo desaparecimento de seus compatriotas no recente campeonato mundial, em contraste com o sucesso queniano. “Nós vamos ter que nos esforçar muito mais”, diz o etíope.

Este texto foi escrito por: Webrun

Redação Webrun

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