Pegando leve

Festas de final de ano e férias são momentos para relaxar, mas sem deixar de lado a atividade física e os treinos moderados.

Festas de final de ano. Férias de verão. Depois de um ano de trabalho, muito treino e competições, é hora de descansar e aproveitar bons momentos ao lado da família e amigos. Corpo e mente precisam de um tempo para ‘recarregar as baterias’ e render o máximo no ano que virá. O segredo nesse período, segundo especialistas, é equilibrar os momentos de lazer com a manutenção da forma física. Nem manter o mesmo ritmo de treino ou tentar aumentar em função do tempo livre. Nem esquecer que a vida segue e se empanturrar deitado numa rede a beira mar. “Os dois maiores erros são treinar em excesso ou o oposto, relaxar demais. E, na volta a rotina de treinos, se treinaram em excesso nas férias, apresentam sinais típicos de overtraining. Se relaxaram, nota-se a perda de condicionamento”, explica o técnico André Vázquez.

“No esporte profissional e amador, o rendimento cai quando o atleta ou esportista está desgastado física ou emocionalmente. Cabe ao treinador observar e detectar que tipo de cansaço o indivíduo se encontra e recomendar o melhor descanso, ativo ou passivo. Nas férias, se o esportista competiu muito durante o ano ou treinou exaustivamente, o recomendável é que fique alguns dias em descanso total, algo em torno de 3 a 6 dias. Em seguida, deve começar a prática de atividades físicas. Não existe uma regra geral, pois depende muito de cada indivíduo”, explica o técnico Mário Mello, da equipe Mário’s Team.

Para o iniciante, os treinadores recomendam não interromper a atividade física nas férias. Para não ficar parado e ao mesmo tempo sair da rotina, deve-se praticar outras modalidades. Nadar ou pedalar são excelentes opções. Dessa forma, consegue-se um descanso mental e o uso de outros grupos musculares, diferenciando o movimento que já se faz rotineiramente no treino de corrida. Um alerta dos especialistas. Para evitar lesões, é bom ficar distante de esportes de risco ou coletivos, como escalada e o futebol, por exemplo.

Férias são férias e é importante escolher um roteiro que agrade toda a família. Mas, se possível, os treinadores recomendam a escolha de lugares tranqüilos. “Os ideais são aqueles que tenham a possibilidade de praticar atividades físicas variadas e opções de alimentação saudável, principalmente em contato com a natureza. Quanto mais priorizar programas noturnos, como boates, shows, cassinos, etc, mais contribuirá negativamente para a manutenção da forma. A questão é o exercício estar vinculado com o dia e não com noite”, aconselha Cláudio Castilho, presidente da ATC (Associação dos Treinadores de Corrida de São Paulo).

Sérgio Bunioto, diretor técnico da BK Sports Assessoria Esportiva, completa. “A escolha do local é muito importante. O corredor deve sempre procurar por lugares paradisíacos, com clima tropical, pouco movimentados e de grande contato com a natureza. Correr em praias desertas ou trilhas em meio ao campo são excelentes “relaxantes” mentais. Procure por hotéis próximos, ou que facilitem o acesso a esses lugares, longe do concreto urbano e dê preferência à locais equipados com piscina ou banheira de hidromassagem. Após uma corrida, nada melhor que um bom banho para recuperar as energias.”

Somente em casos particulares (contusão, por exemplo) é indicado o descanso total. Nos demais casos, o nome é descanso ativo, porque descuidar do corpo pode retroceder o condicionamento adquirido a custa de muito suor. Segundo a treinadora Yara Coltro, da equipe Ironman Assessoria Esportiva, o corredor deve relaxar, mas sem esquecer dos trotes. “O atleta tem que encarar as férias como férias e não continuar seus treinos com tiros, intervalados e fartleks (forte e fraco), mas não pode de jeito nenhum deixar de fazer seus trotes de três a cinco vezes por semana, esteja ele onde estiver.”

A variação de terrenos é uma discussão entre os especialistas. Contudo, há o consenso de que pisos duros, como asfalto e concreto, são grandes vilões para os corredores. Grama e terra são mais indicados. Mas é preciso cuidado, principalmente porque o atleta, normalmente, pouco conhece do percurso. Gramados acidentados, por exemplo, pode ser muito mais lesivo que correr na rua. É fundamental saber onde pisa, literalmente. O treinador José Rubens D’Elia lembra que a falta de atividade compromete ainda a flexibilidade, sem contar o perigo do aumento de peso em função de eventuais exageros típicos de férias prolongadas, associados a falta de treino.

É necessário também pensar no pós-férias. No retorno às atividades, deve-se conter a euforia, como avisa Sérgio Bunioto. “Após o descanso, o principal desafio do corredor é conter o entusiasmo na volta aos treinos. Com a motivação lá em cima, é comum encontrarmos corredores atropelando a readaptação fisiológica. Nessa hora, a orientação do treinador é de vital importância para assegurar o gradual retorno, preservando a integridade do atleta.”

Dicas para “sobreviver” às férias (*)

  • Não pare de correr, mas diminua os dias e a quilometragem semanal.
  • Aproveite para praticar e conhecer outras modalidades esportivas
  • Convide amigos e familiares para praticar esportes, inclusive sua corridinha
  • Cuidado com o excesso de peso, alimente-se bem, mas não em demasia
  • Evite competir, principalmente nas corridas. Isso ajuda a evitar futuras lesões
  • Esportes aquáticos são indicados nesta fase
  • Dê atenção à família e amigos, assim, você garante boa participação e comprometimento em sua próxima temporada
  • Aproveite as férias.

(*) Cláudio Castilho (Diretor técnico da equipe Saúde e Performance, técnico de atletismo pista do Esporte Clube Pinheiros e presidente da ATC São Paulo).

Este texto foi escrito por: Rafael de Marco

Redação Webrun

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