Quando alongar é perigoso?

Este tema teima em ser polêmico, mas não é. Apesar de ainda existirem muitas dúvidas sobre alongar ou não, a fisiologia já é muito clara em relação a este assunto, o problema é como nós interpretamos as informações que os estudos passam.

O fato é que alguns mostram que em determinados grupos de pessoas o fato de alongarem não diminuiu as chances de terem lesões, em relação à pessoas com as mesmas características que não tenham alongado. Novamente caímos no problema de olhar para o quantitativo e não para o qualitativo. Na prática sabemos que não é bem assim, existem corredores que se não alongarem, literalmente “travam” e isto tem um motivo para acontecer.

Ao passar por sessões de treino intensas como tiros em treinos intervalados e hipertrofia na musculação, podem ocorrer microlesões nos músculos Foto: Baranq/Fotolia
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Durante nossa vida recebemos diversos estímulos do ambiente, traumas físicos e emocionais que acarretam em adaptações importantes no nosso organismo. Algumas são adaptações simples, que não geram alterações permanentes, outras podem gerar uma escoliose ou angulação no joelho como o varo, joelhos arqueados para fora, ou valgo, joelho em X, entre outros.

Essas alterações posturais geram programações musculares diferentes, que podemos chamar de superprogramações de cadeias musculares, na prática são músculos que ficam mais ativos do que deveriam para compensar uma postura menos eficiente. Portanto, para esses corredores que possuem alterações posturais, pode ser um alívio alongar, sempre que estes músculos específicos estejam mais tensos. Nestes casos não podemos dizer que alongar é errado.

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Por outro lado, sabemos que alongar diminui a ativação muscular, o que para um atleta profissional prestes a fazer uma prova pode realmente fazer a diferença, mas para um corredor amador não afetará sua performance, portanto, se você gosta de alongar antes de correr não pense que isto é errado, apenas tome cuidado, pois o alongamento, apesar do nome, não serve para alongar o músculo no momento em que você está alongando e sim para distensioná-lo.

Portanto, alongar não deve doer, a dor gera o que chamamos de reflexo do estiramento, isto significa que ao soltar o músculo ele deve se contrair como proteção pelo estiramento, que foi gerado durante o alongamento doloroso. O alongamento deve ser um processo lento, indolor e gradativo.

Durante nossa vida recebemos diversos estímulos do ambiente, traumas físicos e emocionais que acarretam em adaptações importantes no nosso organismo Foto: Fifeflyingfife/Fotolia
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É bom lembrar que ao passar por sessões de treino intensas como tiros em treinos intervalados e hipertrofia na musculação, podem ocorrer micro lesões nos músculos, que são até desejadas para evolução do treino e geram dores musculares, mas neste momento pode ser o pior momento para alongar, pois a tendência é distender essas micro lesões e aumentá-las, o que não é desejável.

Fico triste em ver quando em uma aula de crianças o professor coloca o alongamento como forma de castigo, devemos ensinar as crianças a alongar na hora certa com os devidos cuidados, desenvolvendo consciência corporal e percebendo a sensação prazerosa ao final.

A recomendação é sempre alongar no momento do relaxamento, sem dor, com consciência do que está fazendo, ou seja, prestando atenção no seu corpo.

Bons treinos!

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Claudio Cotter

Claudio Cotter

Fisioterapeuta formado, sempre trabalhou com reabilitação esportiva na clínica, em vários eventos nacionais e internacionais, incluindo O 1º mundial FIFA pela Seleção Sub 17 Feminina como fisioterapeuta da equipe. Ao mesmo tempo se especializando em postura e análise de marcha e da corrida. Hoje, desenvolve trabalhos dentro de um conceito de equipe multidisciplinar em sua clinica e pós graduando em medicina psicossomática, aplicando seus conhecimentos em pacientes esportistas ou não, com o objetivo de tratar a fundo as causas das dores, sendo físicas, relacionadas à postura no trabalho ou na corrida, ou emocionais. Além de consultor da Mizuno em alguns projetos nos últimos 3 anos e ultramaratonista.

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