Como é feita a periodização do treinamento no Trail Running? (Parte 2)

Foto: Fotolia
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Periodização de treinamento é igual uma construção, você precisa fazer um bom alicerce para depois ir construindo os detalhes. Nesta mesma lógica surgiu essa sequência de textos. O primeiro é uma breve introdução. Neste, vou tentar focar no que a ciência do treinamento tem demonstrado de evidência.

Apenas voltando em um conceito “base”: Trail Running e Corrida de Rua são esportes diferentes, por isso são organizados de forma diferente. Porém, quando vamos buscar no “pubmed” (Este é o portal de busca de evidência cientifica, é como se fosse o Google dos profissionais)  os artigos científicos relacionados especificamente a periodização do treinamento no Trail, sabe o que você encontra?

N-A-D-A

(pelo menos eu não encontrei, nem alguns colegas que consultei… Se você souber, por favor compartilhe nos comentários).

Não existe evidência de que a periodização “x” é mais eficaz que a “y”. Em outras palavras, nenhum treinador, em nenhum lugar do mundo realiza uma periodização de treinamento com base cientifica especifica para o trail (Eu juro que quero estar errado, mas não consegui achar nada consistente).

Mas, como trabalham esses profissionais então? Já disse em outros textos, cada treinador segue um modelo de treinamento, uma linha de raciocínio onde ele se baseia para programar os seus treinamentos. Não existe certo e errado, apenas um método escolhido.

Neste sentido, é quase que fundamental que o seu treinador tenha experiência no esporte. É bem complicado alguém que “nunca pisou no barro” entender as dores e as alegrias de cruzar a linha de uma prova dura. (Entendam, não é uma “regra” é apenas uma lógica simples, você não vai no cardiologista esperando que ele coloque um aparelho nos seus dentes, certo?)

Voltando para os métodos de treinamento, existe, uma “brecha”. Existe algo que pode ser embasado e levado em consideração nas metodologias de treino, se chama rotas metabólicas. Sempre que o treinador pensa um treino para você, ele acaba treinando uma rota metabólica (um combustível para seu corpo) específica.

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E, quando pensamos em rotas metabólicas, conseguimos equiparar o trail a outros esportes, como por exemplo, o ciclismo, triathlon, corridas de longa distância (asfalto). Por quê? Porque esses esportes possuem a mesma rota metabólica predominante, ou seja, o indivíduo utiliza o mesmo combustível para se deslocar.

O combustível utilizado, predominantemente, por esses esportes é a gordura. E, quando vamos buscar evidencias de treinos para esses esportes, conseguimos ter um panorama maior e mais sólido de evidência científica.

Esses esportes, já são pesquisados há muito tempo, já tem foram testados diversas formas de treinar atletas para esses esportes e, se você é profissional da área e se interessa por isso, sugiro que você pesquise um pouco mais sobre os métodos de treinamento desses esportes.

Para esse texto, separei um estudo muito interessante, que selecionou 48 atletas bem treinados (ski cross country, ciclistas, triatletas, corredores) e separou eles em 4 grupos: 1) Alto volume: Treinavam grandes volumes, porém uma intensidade bem baixa 2) Limiar: treinavam em um volume e intensidade “médios” 3) Polarizado: alternava volumes altos e intensidades baixas, com treinos intensos e de curta duração 4) HIIT: treinos intervalados curtos e bastante intensos.

Ao final do estudo, qual grupo você acha que teve melhora no desempenho nas variáveis de resistência (Variável mais importante para o nosso esporte tendo em vista a rota metabólica predominante)?

A resposta é o Treino polarizado (O título do estudo está no final deste texto).

Ou seja, quando você for treinar, é melhor que você treine em intensidades altas os treinos curtos e em intensidade bem baixa os treinos mais longos. Isso parece óbvio, mas muitas vezes os treinos intensos são subestimados e os treinos longos são feitos longe da intensidade ideal.

Por isso que um bom planejamento de treino é fundamental para o desempenho. Existem outros vários estudos com esses esportes, que podem ser usados como base para uma boa periodização, contudo, neste espaço tento trazer um bom nível de evidência, mas com objetividade.

É papel do treinador verificar quando deve aplicar essas cargas de treino.

E, quando se pensa em trail, existem outras variáveis que vão pesar nessa escolha: para qual prova você vai treinar? Qual o terreno dela? Qual o desnível? Quais os materiais obrigatórios? Quantos Km? Você está apto a treinar para esse desafio? Vai usar bastões? Precisa melhorar a sua descida? Sua subida? Sua velocidade? Sua resistência? Que alimentos levar?

Minha ideia é ir respondendo essas perguntas aos poucos nos textos, tentando trazer minha experiência pessoal e um pouco dos estudos que ando lendo na área.

Falar sobre o treinamento de um esporte “novo” como o trail é uma tarefa árdua.

Quais assuntos devo abordar com mais “urgência” ? Qual sua maior dúvida neste esporte?

Deixe seu comentário que, dentro do possível, vou tentar me informar e escrever aqui.

 

Fonte: Polarized training has greater impact on key endurance variables than threshold, high intensity, or high volume training.

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Cristiano Fetter

Cristiano Fetter

Mestre em Ciências do Movimento Humano - UFRGS
Sócio Ultra Funcional Place
Founder Raiz Trail

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