Conheça os benefícios do pilates para corredores e gestantes

A corrida exige uma repetição em série de movimentos que podem gerar sobrecarga e estresse nas articulações e músculos do corpo. É necessário uma preparação de força e flexibilidade para evitar lesões e para a correção das já existentes. Um método muito eficaz tem sido utilizado para preparo do organismo na corrida: o pilates.

Através da base do pilates, que é: concentração, controle, precisão, centralização, respiração e fluidez, o corredor consegue não somente evitar lesões, mas também alcançar melhores resultados e performance. Daniela Ribeiro, professora de pilates no Instituto Rodrigo Ribeiro explica um pouco como o pilates pode ser benéfica às grávidas e aos corredores.

Foto: Tommaso Lizzul/Fotolia
Foto: Tommaso Lizzul/Fotolia

“Com o alinhamento da postura, aumento da força do core, melhora da capacidade pulmonar, conquistados na prática regular de pilates, o corredor melhora sua propriocepção, equilíbrio e controle motor, peças fundamentais para a corrida”, afirma a professora. O importante sempre é a avaliação individual de cada um, corrigindo os desequilíbrios já existentes e preparando um organismo apto a qualquer atividade ou fase que a pessoa esteja passando, assim como ocorre na gestação.

A mulher passa por mudanças físicas, emocionais e hormonais, que afetam diretamente na gravidez. “Essas alterações geram novas e diferentes demandas sobre os músculos e articulações, sendo fundamental adaptar sua rotina de exercícios para adequar-se a estas mudanças. É preciso respeitar a individualidade de cada gestante, assim como cada fase gestacional, fazendo com que o método se torne ainda mais seguro e promova uma gravidez e parto saudáveis”, explica Daniela.

Os exercícios do pilates concentram-se nessa fase no trabalho de força e estabilização da musculatura postural, e o assoalho pélvico faz parte deste conjunto, auxiliando a apoiar o útero em crescimento, e deve permanecer forte e elástico para enfrentar as exigências da gravidez e do trabalho de parto. Algumas alterações fisiológicas que acontecem no organismo da gestante e que o pilates vai atuar são: diástase do reto abdominal, enfraquecimento dos músculos posturais e de sustentação, separação da sínfise púbica, diminuição da sustentação do assoalho pélvico, diminuição da capacidade respiratória.

Foto: Microgen/Fotolia
Foto: Microgen/Fotolia

A aplicação do método já pode ocorrer desde o primeiro trimestre, nas gestantes que já tinham prática regular, ou em gestantes que nunca tinham praticado o método. O que vai diferenciar é a intensidade dos exercícios, assim como a individualidade de cada praticante. “Trata-se de uma fase mais delicada em que os exercícios são de menor impacto, mas que pode aplicar todos os princípios de Joseph Pilates”, afirma.

No segundo trimestre, a gestante já tem mais disposição, e muitas vezes quer uma pratica mais intensa. Mas é preciso respeitar as alterações fisiológicas que estão ocorrendo, assim como o deslocamento do centro de gravidade, o que afeta a coluna lombar (gera uma hiperlordose lombar característica da gestante) e que pode trazer dores em grande parte delas. “O trabalho de fortalecimento do transverso do abdômen e estabilizadores de quadril tem grande importância nessa fase, para amenizar esse desvio postural natural”, conta Daniela.

No terceiro trimestre, algumas posições tornam-se mais difíceis de serem trabalhadas, como o decúbito ventral e dorsal (adaptações precisam ser feitas pela compressão da veia cava e desconforto circulatório). O edema pode estar presente nessa fase, e exercícios que facilitem o retorno venoso são indicados, sempre respeitando a individualidade de cada gestante. Nenhuma gravidez é como a outra, e nenhum organismo tem as mesmas alterações fisiológicas com a mesma intensidade.

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Nessa fase inicia-se um trabalho de maior intensidade com a mobilidade pélvica para ajudar na abertura da pelve e relaxamento do assoalho pélvico, preparando a futura mamãe para o parto, seja ele vaginal ou cesariano. “O pilates pode preparar o corpo da gestante para um parto vaginal, mas existem outros fatores que vão influenciar diretamente a escolha o parto. O mais importante é sempre manter a saúde integra da mãe e do bebê”, afirma a professora.

Não existem contraindicações para continuar com os exercícios do pilates para gestante até o final da gravidez, isso vai depender do quanto ela ganhou de peso, se conseguiu praticar os exercícios regularmente, se continua disposta para a prática, ou até mesmo se houve alguma intercorrência durante todas as 40 semanas de gestação. A avaliação dessas intercorrências devem ocorrer de forma conjunta entre o profissional que está acompanhando sua prática de pilates, a própria gestante e a/o seu obstetra de confiança.

“Pratique pilates durante a gestação e sinta a qualidade de uma gestação mais saudável, trazendo maior disposição para essa fase tão importante de uma futura mamãe, além dos benefícios se estenderem no pós-parto”, indica.

A percepção de Daniela como gestante:

“Pratico pilates desde março de 2013, e minha primeira gestação teve início em abril 2013, continuei em todo período gestacional, não tive nenhuma intercorrência, me sentia bem disposta, sem edemas ou cansaços excessivos e sem dores que me impossibilitaram de realizar qualquer atividade, além do controle de peso. Trabalhei até horas antes do parto, ministrando aulas de pilates, e tive uma cesárea opcional com uma recuperação pós-parto sem nenhum tipo de problema físico. Um fator importante é a prática antes de como ela vai influenciar o corpo da mulher no pós parto, no retorno do abdômen ao seu lugar, assim como já uma preparação da postura para a amamentação.

Retornei a minha prática quatro meses depois, com total segurança, e pratico todos os dias. Hoje estou na minha segunda gestação, iniciando o sexto mês gestacional, também sem nenhum tipo de dor, incômodo, edema.  Vejo grande diferença que o pilates trouxe na minha vida, durante todo o período gestacional, comparado as mamães não praticantes, principalmente nesses pontos: dores na coluna, edema das pernas, e indisposição, além da auto estima que o método proporciona através da respiração e a conexão entre mãe e bebê”.

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Gabriel Gameiro

Gabriel Gameiro

Estudante de jornalismo, que caiu no mundo dos esportes por acidente e com o tempo aprendeu a amar. Gosta do que faz e apesar de ainda não ser um corredor ama fazer spinning e cobrir corridas.

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