O que é preciso para ser um atleta profissional?

É impressionante assistir o desempenho de atletas profissionais. Nomes famosos como Usain Bolt no atletismo e Tim Don no triathlon, fazem parecer que são performances de super humanos. Até pode ser que eles tenham algo de diferente, porém composição genética, estrutural e principalmente estímulos desda infância, fazem muita diferença na formação de um atleta de elite.

O treinador e colunista do Webrun, Nelson Evêncio, explica que o diferencial já vem definido geneticamente no cruzamento entre os pais. “Nessa hora são definidas os tipos de fibras musculares, se são rápidas ou intermediárias, por exemplo. Não adianta um corredor como Bolt, extraordinariamente favorecido de fibras rápidas, tentar fazer provas de longa distância, onde exige-se muito das fibras vermelhas ou lentas, que ele não tem em quantidade. Ele pode treinar a vida inteira e até correr bem, mas nunca será um atleta de alto nível”.

Foto: synto/Fotolia
Foto: synto/Fotolia

Outra coisa que costuma ter muita influência, são os tipos de estímulo que a pessoa recebeu durante a vida. Se houveram boas influências, ela tem muito mais chances de ser um bom atleta na fase adulta, comparado as que não foram estimuladas. Isso se chama fenótipo, ou seja, a influência do meio no organismo. “Mesmo não sabendo o real potencial do atleta, existe o desenvolvimento do corpo através do próprio treinamento, sendo ele motor e físico, além do próprio biotipo que já vem com a pessoa”, explica Rodrigo Lobo, treinador.

Quero seguir a carreira profissional e agora?

Somente após os 14 ou 15 anos você começa a direcionar o treinamento de corrida. Antes disso ele deve ser geral, envolvendo outras modalidades. Treinar para provas
acima de 15km bem mais para frente e normalmente após os 18 ou 19 anos pode-se pensar em profissionalismo. “Normalmente um treinador experiente avalia o corredor através de testes e acompanhamento próximo a evolução do treino, assim saberá com menor possibilidade de erro, para qual distâncias encaminhar o atleta, se poderá ser profissional ou não”, diz Nelson.

+ Clique aqui e inscreva-se para o Circuito de Corridas Caixa, Etapa São Paulo!

“Treinadores que trabalharam com performance, volta e meia recebem pedidos de atletas e muitas vezes de pais, que pedem para avaliar seus filhos. Muitas vezes, eles não tem talento para coisa, mas se iludem. Diferentemente de corredores com grande potencial, onde o treinador percebe os bons resultados já nos primeiros testes”. As opções modernas de laboratório ajudam a avaliar o potencial do corredor e há também testes em pista específicos.

Talento ou perseverança?

Para Rodrigo Lobo é preciso ter os dois. “Não existem limites. Claro que surgem estrelas que se destacam, mas para ser um atleta fora da curva é precismo empenho”. Já Nelson pensa um pouco diferente: “tudo isso é importante. Há atletas de talento extraordinário, mas que não evoluem por falta de perseverança, determinação ou foco. Mas, sem o talento, tudo isso dificilmente fará de alguém um corredor de alto nível. O talento sempre fala mais alto”.

“Treinei um corredor amador competitivo que em 4 meses de treinamento bem orientado evoluiu nos 10 km de 37min15 para 32min10. Chegou até os 31min28 nos 10 km, mesmo trabalhando em uma fábrica, mas aí teria que optar somente em treinar para evoluir e financeiramente não foi possível. Também já treinei atletas que correram bem por anos, mas por falta de potencial não conseguiram ir abaixo dos 33min nos 10 km, por exemplo. Para nós mortais, correr 10 km abaixo de 40min já é um grande desafio, o que para um atleta de performance é um ritmo de rodagem muito confortável”, finaliza Nelson.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Gabriel Gameiro

Gabriel Gameiro

Estudante de jornalismo, que caiu no mundo dos esportes por acidente e com o tempo aprendeu a amar. Gosta do que faz e apesar de ainda não ser um corredor ama fazer spinning e cobrir corridas.

Ver todos os posts