Premiações: como tratar o atleta com deficiência?

Hoje os cadeirantes recebem premiação melhor entre os deficientes (foto: Donata Lustosa/ Webrun)
Hoje os cadeirantes recebem premiação melhor entre os deficientes (foto: Donata Lustosa/ Webrun)

As corridas de rua cada vez mais premiam os atletas competidores. Carros, viagens, dinheiro, tudo isso é um incentivo a mais para o atleta competir e buscar a vitória e assim ter uma recompensa pelo seu esforço e desempenho. Claro que se comparar a premiação da corrida de rua com outros esportes, como tênis e o golfe, por exemplo, veremos que o prêmio da corrida é sempre mais baixo.

Além disso, um atleta que corre maratona não tem tantas oportunidades de correr com excelência durante o ano todo. Já um tenista ou golfista podem competir durante toda a temporada sem muitos problemas, podendo faturar alto! Mas também se comprara a corrida com outros esportes, como, por exemplo, a natação, remo, judô, entre outras modalidades vemos que essas modalidades ganham ainda menos. Vendo por esse outro lado, não podemos reclamar das corridas de rua.

E os atletas deficientes? Hoje temos em algumas categorias boas premiações para os deficientes, principalmente os cadeirantes. No exterior as grandes maratonas como Nova York, Chicago, Londres entre outras oferecem premiações para o primeiro colocado por volta de U$1.500. Para alguns atletas deficientes que convivo, muitas vezes tenho que escutar a reclamação que é pouca premiação, mas discordo desta opinião. Embora sempre deseje que as premiações possam ser cada vez melhores.

O motivo da minha discordância é pelo fato da prova não ter sido organizada com a finalidade principal de se premiar um deficiente, ou mesmo, qualquer outra categoria. Em geral a prova é feita com a finalidade de premiar apenas o vencedor dela, um corredor andante, masculino e feminino. Os demais são agraciados com premiações da vontade do organizador e isso não uma obrigação.

Grandes premiações para os deficientes deveriam ser oferecidas pelos organizadores de corridas específicas para deficientes, onde a estrela maior é o próprio atleta desta categoria. Temos uma prova clássica no mundo para cadeirantes que fica no Japão, em Oita, onde participam dezenas de cadeirantes buscando boas premiações.

Também temos provas na Califórnia para amputados e por aí a fora, onde a finalidade é premiar e prestigiar a categoria dos deficientes, e é aí que se deve cobrar as boas premiações.

Brasil – No Brasil, temos organizadores de provas que estão cada vez mais se sensibilizando e apoiando os atletas com deficiência e com isso premiando com Troféus no pódio e em algumas situações com premiação em dinheiro. Temos o caso da Yescom que junto com a ADD (Associação Desportiva para Deficientes) organizou esta categoria em suas próprias provas, valorizando a participação destes atletas em todas as categorias de deficiência, premiando esses atletas em todas as provas que organiza, isto esta sendo fantástico!

Temos também a Corpore que com o seu programa de Guias Voluntários, também organizou a categoria em seus eventos e abre espaço também. Em algumas edições durante o ano proporcionam premiação com pódio.

No triathlon temos o Troféu Brasil organizado pela NA Sports que apóia muito a categoria dos deficientes. É importante salientar que em geral as inscrições para esta categoria são oferecidas com gratuidade embora tenha custo para os organizadores.

No restante do país temos notado o crescimento da categoria, com alguns eventos oferecendo boas premiações como a tradicional 10 milhas Garoto, realizada em Vitória, Espírito Santo. E por aí vai!

A participação e a premiação desta categoria tem crescido em parte devido aos valores doados, que podem ser abatidos do imposto de renda das empresas. Seria importante que o atleta com deficiência pudesse participar mais ativamente destes eventos, noto que falta mais isto do que premiações nas provas! Só com maior participação, nós poderemos ter algum dia melhores premiações, e o momento é agora onde temos vários organizadores olhando com muito carinho para esta categoria.

Este texto foi escrito por: Mário Mello

Redação Webrun

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