Quantidade ingerida de gordura não interfere na saúde cardíaca

Total de gordura ingerida em nossa dieta não interfere na saúde cardíaca (foto: Alex Bruda/stock.xchng)
Total de gordura ingerida em nossa dieta não interfere na saúde cardíaca (foto: Alex Bruda/stock.xchng)

Um longo e recente debate de 15 páginas no “Journal of the American Dietetic Association” foi publicado discutindo-se, entre outras coisas, se a quantidade total de gordura ingerida faz alguma diferença na saúde do coração, nos índices (e risco) de diabetes e na obesidade. E ao menos uma das conclusões segue a linha do que falei nos últimos dois textos aqui nesse espaço: o total de gordura ingerida em nossa dieta não tem importância nesses pontos!

Outro ponto importante no debate é a conclusão de que a gordura saturada (animal), apesar de ser ruim, parece não ser tão ruim quanto o carboidrato simples (açúcar branco e farinha de trigo, por exemplo). Não é difícil entender por que, mesmo com inúmeras campanhas para reduzir o consumo de gordura nos EUA, os americanos continuam a ganhar peso, justamente porque eles conseguiram essa redução no consumo de gordura à base de uma troca consumindo agora mais carboidratos! Mas se comemos hoje menos gordura que 20 anos atrás, por que então continuamos a engordar?

Os cálculos de ingestão de nutrientes de uma população são super complexos e difíceis, mas nos últimos anos, mais e mais renomados especialistas vão concordando com algo: parece ter sido um erro precipitado recomendar a substituição de gordura pelos carboidratos refinados. O único acerto de fato parece ser a ênfase de controlarmos o tipo de gordura que consumimos, evitando a saturada e a condenada trans, dando preferência às insaturadas.

Um dos resultados dessa substituição do tipo de nutriente é que, mesmo reduzindo a quantidade calórica, continuamos a engordar, entre muitas outras coisas, provavelmente porque aumentamos percentualmente o carboidrato em nossa dieta.

Da minha parte, cada vez mais acho completamente desnecessário o extremo cuidado que os profissionais da saúde têm com a gordura, porque parece que estamos latindo para a árvore errada. Há uma imensa e absoluta confusão com os cálculos de porcentagem dos nutrientes porque quando reduzimos um nutriente (seja ele carboidrato, gordura ou proteína), outro(s) acaba(m) ganhando peso na dieta e mascarando os papéis de cada um nas dietas de emagrecimento.

A quantidade de calorias parece ter então um peso bem menor do que o atribuído hoje na manutenção de peso, mas essa é uma teoria que requer longa discussão, inviável aqui. É sim muito importante que saibamos que MUITO do produzido em pesquisa nas últimas décadas faz uma absurda confusão com quantidade calórica e porcentagens de nutrientes, confusão essa que impede encontrarmos os verdadeiros vilões.

O lado otimista me diz que esse debate em um veículo tão respeitado quanto o “Journal of the American Dietetic Association” é um alento, porque reconhece que a fobia criada em cima da gordura parece não ser mais um consenso. Se você sair pesquisando, verá que indicadores como o colesterol (seja ele HDL ou LDL) tem uma confiança relativamente baixa como indicadores futuros de riscos cardíacos, além de não reagirem tão bem a mudanças nas dietas.

E por fim, o que não faltam são populações inteiras com dietas que seriam totalmente condenadas do ponto de vista do que seria o ideal, mas mesmo assim essa população acaba tendo índices de longevidade e índices de problemas cardíacos muito abaixo da média mundial. E é justamente sobre essa particularidade de alguns grupos, seu comportamento e equivocadas leituras, que fazemos disso o que eu falarei no próximo texto!

Este texto foi escrito por: Danilo Balu

Redação Webrun

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