Recorde mundial no meio de lesões

A história de Derek Clayton pode ser resumida na frase: quilometragem excessiva e desgaste por falta de recuperação. Mas a deste britânico alto, de 1,88m, nascido em Lancashire, em novembro de 1942, que emigrou à Austrália aos 21 anos depois de ter passado tempos em Belfast na Irlanda do Norte, e cheia de feitos.

Aos 23 anos, depois de já estar há 2 na Austrália, Derek estréia em maratonas ganhando com 2h22min12 no Campeonato Estadual de Vitória, em Melbourne.

Derek Clayton que era um adepto dos princípios de treinamento de Arthur Lydhiard, dos treinamentos longos, fazia treinamento sempre com 250 km, por semana chegando aos 320 quilômetros em algumas semanas. Esta quilometragem excessiva, e a falta de atenção aos sinais do corpo, acabou custando a Clayton diversas interrupções e inclusive 7 cirurgias mais importantes, sendo 4 nos tendões-de-aquiles. Clayton não tinha a compreensão de que o descanso e a recuperação eram tão importantes e, por esta razão, sofreu tanto com lesões e, apesar de grandes marcas, não conseguiu nenhum grande resultado em Jogos Olímpicos

O maior feito de Derek Clayton foi em Fukuoka, em 3 de dezembro de 1967, na primeira incursão internacional. Depois de uma batalha com o japonês Seeshira Sasaki, passando os 5 km em 15min06, os 10 km 29min57, os 15 km em 44min57. Clayton passou os 20 km em 59min59, sendo a primeira vez que se correu em uma maratona neste ritmo. E no final a marca impressionante de 2h09min36.4, novo recorde mundial, melhorando em quase 3 minutos a marca de 2h12min25 e que era do japonês Shigematsu. O tempo era impressionante ainda mais porque antes da prova a melhor marca de Clayton para a distância era de 2h18min28. Sasaki, que a partir do km 34 tinha se curvado à superioridade de Clayton, ainda se esforçou para cruzar a linha de chegada em 2º, com 2h11min17, que foi, então, a segunda melhor marca mundial da maratona. O que na época talvez Clayton não tivesse associado ao recorde é que no início de 1967 teve que sofrer uma cirurgia no tendão-de-aquiles e, com isso, se viu afastado dos treinos por um longo período, o que o permitiu se recuperar e ganhar o vigor físico necessário para o posterior recorde mundial.

Clayton rodava cerca de 15.000 km por ano, o que lhe acarretava problemas de lesões e cirurgias, tendo, inclusive, participado e terminado em 7º na Maratona dos Jogos Olímpicos do México com sérios problemas de cartilagem. Foi um feito ter terminado o percurso em 2h27min23.8. Assim como fracassou nos Jogos de 1972 em Munique com uma 13ª colocação, em 2h19min49.

Outro grande feito de Derek Clayton foi no dia 30 de maio de 1969, em Antuérpia, na Bélgica, onde se organizou uma maratona com diversos atletas internacionalmente conhecidos para celebrar a inauguração de um túnel. Naquela época os rigores de medição de percurso não eram como os de hoje. A prova, corrida à noite, propiciaria grandes marcas e, no final, venceu Derek Clayton com surpreendentes 2h08min33.6, marca impressionante e os adversários chegando muito distantes, tendo o segundo colocado, o japonês Usmi, terminado quase 3 minutos depois. Houve polêmica sobre a validade do resultado e do mesmo ser o novo recorde mundial. Apenas nos anos 80 é que se concluiu que a prova deve ter sido corrida em distância menor, o que nunca foi aceito ou reconhecido por Clayton.

A confusão ainda foi maior, pois este recorde de 1969 só seria quebrado em outubro de 1981 por Alberto Salazar, na Maratona de Nova York, com 2h08min13, mas descobriu-se depois, que esta Maratona de Nova York se correu com 150 metros a menos. Mas, em dezembro de 1981, o australiano Robert de Castella marcou 2h08min18 em Fukuoka e passou a ser uma marca considerada mais acreditável.

Derek Clayton foi um grande corredor que pagou um preço caro, com lesões e cirurgias, por ter feito quilometragens excessivas e não ter dado atenção ao corpo e a sua recuperação. Mas, indiscutivelmente, marcou o mundo das maratonas com seus resultados impressionantes em Fukuoka em 1967 e na Bélgica em 1969.

Este texto foi escrito por: Sergio Coutinho Nogueira

Redação Webrun

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