Relato: Desafio 600k SP- RJ uma prova inesquecível!

Equipe Nike Coore  Nelson Evêncio é o primeiro em pé (dir.) (foto: Divulgação/ Nike)
Equipe Nike Coore Nelson Evêncio é o primeiro em pé (dir.) (foto: Divulgação/ Nike)

Praticamente um mês depois, os participantes do Desafio 600K, prova que aconteceu entre os dias 22 e 24 de outubro, ainda lembram do evento que marcaram suas histórias de corrida. Veja o relato do treinador e colunista do Webrun, Nelson Evênico.

São Paulo – No começo de julho fui ao lançamento do Desafio 600k SP-RJ. Ao ver o vídeo do percurso e entender um pouco mais a magnitude deste evento e o impacto que ele deveria causar no mundo da corrida, confesso, que assim como a maioria que lá esteve, fiquei com grande vontade de participar.

No primeiro semestre do ano já havia corrido várias provas de 5 a 10 quilômetros, duas meias maratonas importantes e dois trechos difíceis da tradicional Volta à Ilha de Florianópolis. Mas confesso que ainda sentia falta de um grande desafio. Faltava uma prova que me fizesse treinar com o comprometimento de tempos atrás, que me fizesse sentir aquele misto de respeito e medo, que por algum período me fizesse treinar como se fosse uma das coisas mais importantes de minha vida.

Mantinha minhas quatro corridas na semana, além dos meus treinos de musculação, quando em um belo domingo recebi o irrecusável convite de meu amigo Daniel Neves, do marketing da Nike, para ser um dos 12 felizardos a fazer parte da equipe Nike Corre. Esta era formada por funcionários da empresa e mais alguns ilustres convidados.

Aceitei o convite de imediato e alguns instantes depois lá estava eu planejando meus treinos, revendo todos os meus horários e pensando em todos os detalhes que teria que acertar para as próximas cinco semanas. Foi um período de treinos que passou rapidamente, mas que foi muito proveitoso.

Como sabia que cada integrante da equipe teria que correr três trechos por dia, com distâncias médias de sete quilômetros, por três dias consecutivos, não foram poucos os dias em que treinei em dois períodos, além daqueles em que treinei nos mais diversos horários, climas e encarando muitas subidas. Afinal a informação que obtive da organização é que os percursos tinham subidas assustadoras. Também mudei a dieta e somada à aplicação nos treinos lá se foram três quilos facilmente!

4h20 da manhã, debaixo de muita chuva, lá estávamos: Marcio, Virgínio (Leão da Montanha), Neide, Karina, Vivi, Xavi, JP, Daniel, Tiago, Rapha, Toshiu, Paulão e eu, além de Aulus Sellmer, nosso treinador responsável. Todos em frente ao Obelisco do Ibirapuera, esperando a largada às 5h, assim como os integrantes das outras 20 equipes e as centenas de outras pessoas envolvidas no evento.

No primeiro dia minha equipe cumpriu 10h28min entre São Paulo e São Sebastião, 16h30min no segundo dia entre São Sebastião e Angra dos Reis e no terceiro dia, este com temperatura batendo os 38ºC e com os trechos mais difíceis e quentes, 13h36min de Angra até a bela praia da Barra, completando 590 quilômetros em uma das mais emocionantes e esperadas chegadas que já havia visto.

Já no domingo, que seria o quarto dia e fecharíamos os 600k com os 10 quilômetros da prova Human Race, o cansaço dos três longos dias anteriores era aparente nos rostos de cada um e as normais dores musculares exigiam uma corrida mais cautelosa. Porém, dava para perceber que aqueles últimos 10k teriam um sabor especial, assim como a famosa “cereja do bolo”, pois fechariam com chave de ouro os 600. Corri cansado tentando seguir os blocos de corredores rápidos e amenizar o sofrimento curtindo o belo percurso. O sol estava de rachar e aquela subida de São Conrado estava mais longa do que nunca. Com 42min30seg lá estava eu chegando todo feliz e sorridente e minutos depois esquecendo todo o cansaço, dando um belo mergulho na praia de Ipanema.

Lembranças – Correr na Via Anchieta com a pista do meio interditada foi algo inacreditável. Corri também na Praia de Bertioga e na Rio-Santos, tendo de um lado lindas montanhas do outro lado a bela Angra e em cima um céu lindo e sem nenhuma nuvem. Houve um trecho de oito quilômetros que corri só em descida, com garoa e frio, no qual chamei de “presente de convidado”, final correr oito quilômetros nessas condições foi a maior moleza.

Em compensação em outro corri lá pelas 12h40 em uma estrada em reforma com muitos caminhões baforando fumaça em meu rosto e com um calor acima de 35ºC. Felizmente consegui chegar à prova em excelente forma física e mental, fiz uma boa hidratação e consegui completar todos os meus trechos que somaram cerca de 52 quilômetros, em ritmo bem mais rápido do que havíamos planejado.

Particularmente já havia participado de centenas de corridas no Brasil, de duas maratonas, das maiores de revezamento e de duas das maiores e mais famosas maratonas do mundo nos EUA, mas cumprir o Desafio 600k SP-RJ, em uma equipe tão bacana, foi uma sensação fabulosa, que ficará marcada para sempre em minhas muitas histórias de corredor.

Superação, suor, solidariedade, espírito de equipe, contemplação de belas paisagens, contato com a natureza, posse do espaço, liberdade, frio na barriga, alegria, choro, emoções das mais diversas e sensação de dever cumprido, tudo isso fez parte do grande Desafio 600k SP-RJ, uma experiência muito intensa e que deixou todos com aquele famoso “gostinho de quero mais!”

Este texto foi escrito por: Nelson Evêncio

Aulus Sellmer

Aulus Sellmer

Bacharel em Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFEUSP) com especialização em treinamento desportivo pela USP, marketing esportivo pela UCLA Berkeley EUA e administração esportiva pela FGV-SP. Atualmente é pos graduado no curso MBA Qualidade de Vida em Gestão Corporativa pela Universidade São Camilo; pos graduando no curso Fisiologia aplicada à clínica pela UNIFESP; proprietário da assessoria esportiva 4any1, colaborador da Rádio Eldorado FM 107,3 e revista Contra Relógio.

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