Relato pós Nike 600K e Maratona de Nova York: desafios conquistados

Em Nova York mais um sonho foi realizado (foto: Arquivo Pessoal)
Em Nova York mais um sonho foi realizado (foto: Arquivo Pessoal)

A corredora mineira Natalia Vasconcelos aceitou o desafio de encarar o Desafio Nike 600k e a Maratona de Nova York. Integrante da equipe de Belo Horizonte ela conta como foi a experiência de correr duas grandes provas da temporada 2010.

Em 2010 pude viver na minha vida de corredora as duas experiências mais emocionantes e posso dizer que em sete anos de corrida (sim, sou nova, mas comecei cedo!), esse foi meu melhor ano. Após minha última maratona (2007 Buenos Aires) tive uma fatura por stress que me deixou assustada e um pouco traumatizada com os 42 quilômetros. Passados três anos, repensei e tive vontade de enfrentá-los mais uma vez. No começo do ano recebi um e email de uma agência de turismo com a seguinte propaganda (foto ao lado).

Ao terminar de ler, pensei…. “Será???? NY???” Meu coração se encheu de alegria e empolgação e na mesma hora resolvi : sim! Conversei com meus pais e eles toparam na hora; afinal com tanta antecedência, dava para programar uma viagem bacana com toda a família.

Fechei o pacote da agencia de turismo autorizada (pois, ser sorteada assim na primeira vez seria muita sorte!) e mentalizei… Comecei os treinos específicos em julho…

Até que em agosto surgiu outro convite emocionante: ser sub 25 na Nike 600k! Amei o novo regulamento e topei na hora!!! Nem sabia por qual emoção eu estava mais empolgada… Foi o semestre todo só pensando e falando em maratona e Nike 600k.

Algumas pessoas me perguntavam se não era demais, se não tinha medo de me machucar novamente… Não quis nem saber; se tivesse que machucar, ate aceitava, mas só depois do dia sete de novembro… Queria a todo esforço e suor…viver essas duas experiências!!!

Meus treinos foram mais focados na Maratona do que na Nike 600; afinal esse era meu real objetivo desde o começo do ano. Treinos para maratona são mais longos e de resistência; para a Nike 600 seriam mais de velocidade e intervalados. Abri mão dos finais de semana, de vários aniversários, encontros e festas por essa boa causa: treinos e treinos. Mas isso me dava prazer e não era sacrifício nenhum.

600k – Finalmente chegou o grande dia: Nike 600k! Estava tão empolgada que não me lembrava da maratona. Na minha cabeça eu tinha que viver cada emoção de uma vez, para aproveitá-la ao maximo.
Foi uma experiência maravilhosa. Aproximei-me de amigos corredores que já conhecia há bastante tempo; criamos um vinculo inesquecível. Corrida é um esporte muito solitário. Você treina muito sozinho, tudo dependente do seu esforço, do seu tempo; é um desafio pessoal. Nos 600k a gente vivencia a mesma corrida; mas o foco não é você, mas sim toda a equipe! No nosso caso, uma cidade (BH)!

Por isso era essencial o bom humor, a compreensão, a torcida pelo outro como se fosse por você mesmo; a empolgação independente dos resultados. Nossa equipe era bem variada, pois tínhamos corredores que não eram tão rápidos, mas que adquiriram um papel fundamental. Cada um colaborava com o melhor que tinha…

Na velocidade e em ganhar tempo, mas também em preparar nossos shakes, em nos fazer rir nos momentos mais dolorosos, manter a união, maquiar as garotas (“Gente, blush e saúde”).

A gente pode ficar fedendo, mas feias não! Outros colaboravam com a responsabilidade (cronometrar diferenças de tempo entre as equipes, pesquisar os resultados parciais)… E assim aprendemos a lidar uns com os outros, valorizar o melhor de cada um e incentivar ressaltando o “ponto fraco” de cada um (Falar do filho que aguarda, da mulher que esta assistindo na TV, da rede Globo que esta filmando… E por ai vai).

O desgaste e a dor foram grandes. Lembro-me de uma descida íngreme que peguei, meu treinador disse “Aproveita para treinar para NY, pois a dor e o desgaste que você vai sentir nesses sete quilômetros serão equivalentes aos 42 quilômetros”. Ao sentir a dor e a perna pesada eu pensava. “Acostuma que daqui duas semanas isso repete!”. Por isso, posso dizer que a Nike 600 valeu para mim em todos os sentidos! Tanto físico, quanto psicológico.

Enfim, além do desgaste físico e das grandes emoções a cada largada, a cada troca de corredor, aprendemos muito; experiências que serão úteis em todas as áreas da nossa vida. Aprendemos a manter a alegria e aproveitar a grande oportunidade, felizes, independente dos resultados. Isso foi fundamental.

Passada a grande prova da Nike 600k (maravilhosa, perfeita, super bem organizada, incrível e inesquecível!), tempo de respirar e …. NEW YORK!!!!

Fiquei duas semanas na cidade; cinco dias completamente dedicados à prova: buscar o kit, feira da maratona, corrida da amizade e finalmente: o grande dia!

Já estava bem recuperada dos 600k e me sentia muito bem preparada. Nem o frio e o vento conseguiram me desanimar. Estavam todas as pessoas que mais amo ali para me aplaudir: meus pais, irmãos, namorado que foi de surpresa me assistir e alguns amigos.

E a maratona de NY me provou ser exatamente igual à propaganda que me fez escolher por ela: a mais animada, a mais linda, A MELHOR!!!

Fiz em um tempo bom, 3h26 (12 minutos abaixo do meu melhor tempo que era 3h38). Consegui manter constante meu ritmo ate o quilômetro 39, quando uma câimbra começou a querer fisgar minha panturrilha e eu tive que correr concentrada nisso, para que ela não me pegasse! Fiquei muito feliz com o resultado, afinal três dias depois já estava zerada, nenhuma dor e pronta para meu último treininho de despedida no Central Park (nada mal!).

O que a Nike 600 e a Maratona de NY tiveram em comum? Com certeza o grande sentimento ambíguo de querer chegar e fazer um ótimo tempo e a vontade de começar tudo outra vez!!!

Este texto foi escrito por: Natália Vasconcelos, especial para o Webrun

Redação Webrun

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