Revista Contra-Relógio festeja 10 anos

Coloboradores de primeira hora: o fotográfo Tião Moreira  Derrick Marcus  Márcio Dederich e Tomaz Lourenço   (da esq. para dir) (foto: Harry Thomas Jr  Arquivo WebRun)
Coloboradores de primeira hora: o fotográfo Tião Moreira Derrick Marcus Márcio Dederich e Tomaz Lourenço (da esq. para dir) (foto: Harry Thomas Jr Arquivo WebRun)

Sol, praia, mar, local exuberante são atributos mais do que convincentes para o ócio e o descanso, mas não foi isso que fizeram mais de 300 corredores no último sábado, dia 19, na praia do Lázaro, localizada na cidade de Ubatuba, no belo litoral norte de São Paulo. Eles estavam lá para participar da Corrida Festa da Revista Contra-Relógio que comemora esse ano 10 anos de existência, um recorde entre as publicações do gênero no Brasil e, tirando algumas raras exceções no mundo.

O assinante Ademir Gatti aprovou o evento. “Tomaz [editor da Contra-Relório] teve uma ideia brilhante em fazer a prova na praia, e tambem mostrou que muitos atletas corre por satisfação ao esporte e ao prazer de correr e não pela premiação.” disse. “A Contra-Relógio, hoje representa uma grande comunidade de atletas que não se importa em chegar na frente e sim mostrar para a familia que a prova que ele disputou saiu na revista e ele estava lá, inclusive na classificação”, completou Gatti, explicando um dos motivos do sucesso da publicação.

Anunciantes, assinantes de longa data e recentes, amigos vindos de várias regiões do país estavam lá para para comemorar e confraternizar mais do que competir. A prova na distância de 8 quilômetros, aconteceu em percurso a beira mar, num dos melhores pisos para a prática de corrida (a areia dura). Largando em baterias escalonadas e divididas por faixa etária estavam de jovens corredores a atletas veteranos que somente tinham a intenção completar o percurso para receber a histórica medalha.

“Do começo ao fim os organizadores e o evento estiveram perfeitos”, disse Fabiano Gonçalves, de 22 anos, que assina a publicação há 4 anos. Gonçalves graduado em Processamento de Dados tinha outro motivo para comemorar, havia conquistado pela primeira vez um pódio (foi 3° colocado na categoria 21/25 anos).

Já o Mestre em Administração de Empresas, Rodolfo Ohl, 26, assinante da publicação há 4 meses e que treina orientado pela C.AR.E. era outro que esbanjava bom humor e que tecia elogios ao evento. “A corrida foi uma festa, num visual fantástico do mar e a organização foi 100%. Parabéns a Contra-Relógio pela corrida-festa”, disse Ohl.

Estimulo – É incontestável o papel estimulador que a revista Contra-Relógio teve na “formação” de vários corredores pelo Brasil afora. “No meu caso foram dois fatores fundamentais para eu me tornar corredor. Um foi a Corpore por suas excelentes provas que me estimularam a competir, o outro sem dúvida foi a Contra-Relógio que assinei pela primeira vez no final do ano de 1994”, disse o Administrador de Empresas e jornalista Harry Thomas Jr. “Lembro-me, que ainda não existia internet e que meu grande prazer era participar das corridas e ver meu nome publicado na famosa seção de resultados da revista e ler suas matérias que me introduziram neste mundo mágico das corridas de rua”, conta Thomas, que é sócio e editor do portal WebRun.

Entrevista – Tomaz Lourenço, editor da revista Contra-Relógio é sem dúvida um dos principais alicerces do movimento de Corridas de Rua brasileiro. O resultado de seu trabalho frente a Contra-Relógio e como Diretor de Corridas de Rua da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) mostrou a importância que esse santista, casado, pai de duas filhas, teve (e têm) para o atletismo nacional.

Seu trabalho desde o surgimento da revista em outubro de 1993, beneficiou diretamente os corredores que passaram a receber maior respeito por parte dos organizadores, o que certamente, contribuiu para o aumento do número de praticantes e das competições organizadas no país.

Confira a entrevista que Tomaz Lourenço concedeu ao WebRun

WebRun – Quem era Tomaz Lourenço antes do surgimento da Revista Contra-Relógio?
Tomaz Lourenço – Quando cursava Faculdade de Economia comecei a trabalhar na Folha de São Paulo e acabei descobrindo que queria mesmo era ser jornalista. Me formei em Economia, nunca exerci, mas sempre atuei no chamado jornalismo econômico. Fui repórter, redator e editor em diversas publicações.

WebRun – E o esporte como entrou em sua vida?
Lourenço – Sempre pratiquei esportes (natação, judô e ciclismo). Em um começo de ano (talvez 88 ou 89) comecei a correr, para fugir da rotina do ciclismo, que praticava 3 a 4 vezes por semana. Gostei da corrida, comecei a perder peso e a vontade de fumar (fumava pouco, mas fumava). A base dos muitos anos de ciclismo, mesmo amador, me ajudou a logo começar fazer treinos longos e fortes. Participei de algumas poucas provas, mesmo porque naquela época não se sabia onde elas aconteciam, com exceção da São Silvestre.

WebRun – Como e porque nasceu a Revista Contra-Relógio?
Lourenço – Já tinha trabalhado em muitas publicações e estava um pouco cansado de repetir o que vinha fazendo, apesar de ganhar bem. Ao mesmo tempo, constatei que apesar dos milhares de participantes em corridas de rua, não havia uma publicação especializada para esse segmento. Então comecei a estudar o assunto e falei com muitas pessoas, algumas me estimularam e outras jogaram para baixo, dizendo que nunca daria certo uma revista para esse grupo de pessoas. Acreditei nos corredores e decidi lançar a revista em outubro de 93, desde o começo a cores e em papel couchê. Foi difícil no início, porque não havia praticamente nenhuma publicidade, mas aos poucos foi melhorando, apesar da base da sobrevivência da revista continuar sendo as assinaturas.

WebRun – Qual o papel principal e crucial que a revista desempenha?
Lourenço –Acredito que ela veio dar dignidade aos corredores e a valorizar esse segmento esportivo, aliás um dos únicos do país a ter um veículo próprio de comunicação. Até o surgimento da Contra-Relógio, não havia como saber onde aconteceriam as provas e muito menos saber os resultados depois. Além de prestar esse serviço, a revista desde o início levantou a bandeira de que iria lutar pela melhora de nossas corridas de rua, que eram quase todas um lixo. Apenas para ficar num exemplo, a São Silvestre, até o surgimento da Contra-Relógio, não dava medalha nem camiseta, apesar de cobrar inscrição. E não haviam banheiros na largada. A revista começou a criticar essa provas e a fazer sugestões e hoje todos são unânimes em afirmar que a Contra-Relógio efetivamente estimulou ou forçou, como dizem alguns, um salto de qualidade nas nossas provas de rua.

WebRun – Olhando para trás, observa-se que evoluímos muito em termos organizacionais, mas, o que falta para que tenhamos não algumas, mas sim, a totalidade de nossas provas de nível internacional?
Lourenço – Acho que não é possível pensar nessa meta, ainda mais em um país com tanta desigualdade social e com um nível de pobreza que nos coloca ao lado dos países mais miseráveis do mundo. Em um país carente de investimentos em educação, saúde, saneamento básico, com alto grau de violência (só perdemos para a Colômbia na América Latina), corrupção institucionalizada e impunidade generalizada (especialmente dos ricos), não dá para pensar em termos corridas de Primeiro Mundo aqui. O que podemos, sim, é que se ofereça o mínimo de segurança e respeito aos participantes de nossas principais provas, pelo menos.

WebRun –E no futuro, digamos, daqui a 5 anos…Qual o cenário que vislumbra para o movimento de corridas de rua brasileiro ?
Lourenço – Espero que continue a melhora e o crescimento que estamos tendo nos últimos anos.

WebRun – O que lhe aborrece no mundo da corrida?
Lourenço – As corridas mal organizadas me deixam mesmo muito aborrecido, ainda mais porque não é tão difícil assim fazer uma prova com o mínimo de respeito para com os corredores.

WebRun – Quem foram as peças chaves para que a revista chegasse ao ponto que chegou?
Lourenço – Havia uma “orfandade” muito grande, ou seja, os corredores não dispunham de qualquer meio de informação. Dessa forma o sucesso da Contra-Relógio foi natural, mas para tanto foi necessária muita seriedade, uma vez que desde o início trabalhamos com assinatura. Em uma país de malandragem institucionalizada, obviamente que as pessoas não confiaram no começo, mas aos poucos, com nossa presença nas provas, com a linha editorial assumida (de defesa e valorização dos corredores e das corridas de rua), muitas informações e seriedade nas reportagens, as pessoas foram vendo que era um projeto sério e para ficar.

WebRun – Descreva o sobre o processo editorial que é feito para a Contra-Relógio todos os meses?
Lourenço – A revista tem muitos colaboradores, que enviam por e-mail ou fax as matérias. Todos os textos passam por mim, além de cuidar inteiramente da parte comercial, ou seja dos anúncios. Também sou responsável pelas seções da revista, como cartas, agenda etc. Na segunda semana do mês começo a “desenhar” a edição, estabelecendo o número de páginas (a depender das matérias e da publicidade) e distribuindo anúncios e artigos/reportagens pelas páginas, em processo que sofre muitas alterações nos últimos dias do fechamento da edição (durante a terceira semana do mês) e que me deixam sempre muito agitado, mas isto é o comum em qualquer publicação.

WebRun – E seu lado de corredor quais foram suas conquistas e quais são seus objetivos?
Lourenço – Em função de minha base no ciclismo, foi fácil minha entrada na corrida. Após alguns anos de treinamento, decidi fazer minha primeira maratona, em Blumenau 93, e com 2 meses de treino específico orientado por uma treinadora (Silvana Cole), debutei já com 3h04, aos 45 anos. Depois tentei no ano seguinte fazer abaixo de 3 horas e estava muito bem preparado para isso, mas o ônibus da equipe se perdeu no caminho para a largada de Blumenau (que acontecia perto de Itajaí) e chegamos atrasado alguns minutos. Mesmo assim fiz 3h07. Depois corri muitas outras, aqui e no exterior, completando hoje na casa das 3h30 as maratonas.

WebRun – Qual foi a sua prova inesquecível? Porque?
Lourenço – Sem dúvida foi minha primeira maratona, comentada anteriormente, pela emoção e pelo grande resultado conseguido.

WebRun – Qual prova pretende um dia participar ?
Lourenço – A Comrades Marathon (89Km), na África do Sul.

WebRun – Qual seu sonho como pessoa, corredor e editor?
Lourenço – Como pessoa, gostaria que este país teve uma maior igualdade social e menos corrupção. Como corredor pretendo continuar na ativa por muitos anos, se possível com boas marcas para a minha faixa etária. Como editor, que a revista continue um sucesso e ajudando a melhorar as corridas de rua no Brasil.

Este texto foi escrito por: Webrun

Redação Webrun

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