• Maratona - Saiba a diferença entre maratonistas resistentes e rápidos

Saiba a diferença entre maratonistas resistentes e rápidos

Cada corredor possui características que define seu desempenho em provas curtas e longas (foto: Wagner Carmo/CBAt)
Cada corredor possui características que define seu desempenho em provas curtas e longas (foto: Wagner Carmo/CBAt)

Para um bom e adequado planejamento do treinamento, é de fundamental importância conhecer as principais características individuais do corredor de maratona. Desta maneira, tornamos mais eficaz a proposta de cargas dentro das diferentes fases do processo do treinamento. Encontramos assim, dois tipos de maratonistas, classificados a partir de um conceito clássico:

  • Maratonistas Resistentes (MR): aqueles em que o percentual de fibras musculares Tipo I (oxidativa) pode ser próximo de 90%;

  • Maratonistas Rápidos (MV): aqueles que possuem dois terços de fibras musculares Tipo I, mas também um quarto de fibras Tipo IIa (oxidativa/ glicolítica).

    MR alcançam suas melhores performances na maratona e são proporcionalmente lentos em provas de 10 mil metros. Por outro lado, MR obtém sucesso também em provas de pista. Este elemento é suficiente para distinguir os dois tipos de corredores.

    A tendência de preferir corridas longas a ritmo constante é do MR e seu ritmo para corridas rápidas não é muito distante de seu ritmo para corridas lentas. Ao contrário, MV freqüentemente preferem corridas com ritmos rápidos, que se diferem bem para as corridas lentas.

    Outra significante diferença está entre a velocidade de competição na maratona e a velocidade do limiar anaeróbio. Nos MR esta diferença é normalmente pequena, 4% em atletas de alto nível e 6% em atletas que correm a distância em aproximadamente duas horas e meia. Nos MV, esta diferença é normalmente grande; eles contam com um elevado consumo máximo de oxigênio, mas utilizam baixo percentual desse oxigênio durante a maratona. O oposto é verdadeiro para os MR.

    A recuperação após as competições também difere entre eles. MV tem uma maior quantidade de fibras rápidas oxidativas (Tipo IIa) e o treinamento induzirá essas fibras a incrementar o consumo de oxigênio, mantendo menor eficiência do que as fibras lentas (Tipo I) contra peroxidações, sendo assim mais afetados pelos radicais livres. Por essa razão, imediatamente após as competições MV são mais sensíveis a lesões e requerem maior tempo de recuperação.

    Provas curtas e provas longas – Duas outras características diferem MR de MV: MR não apresentam aptidão para distâncias curtas (sistema lático não é eficiente) e, além do mais, eles se especializam em distâncias longas e participam de meias maratonas em idades precoces; suas passadas são naturalmente pendulares, típicas de corredores de maratona. MV, ao contrário, podem ter tido sucesso no início de suas carreiras em provas de 3.000m ou até mesmo 1.500m; eles possuem tendência em ter passadas mais elásticas, tal como os corredores quenianos. Porém, essas características dependem da influência do treinador e do tipo do treinamento.

    Com referência ao tipo de treinamento, MR correm a maratona em velocidade próxima ao de seu limiar anaeróbio e assim devem tentar melhorá-lo. Devem tentar também melhorar seu consumo máximo de oxigênio. Isto pode ser obtido através de exercícios que produzem certas quantias de ácido lático. MV, entretanto, não precisam se preocupar em elevar seu consumo máximo de oxigênio ou sua velocidade de limiar anaeróbio e sim em concentrar na aceleração de eliminação de ácido lático e elevar a capacidade de suas fibras Tipo IIa em utilizar oxigênio. Em outras palavras, MR devem variar o ritmo de seus treinamentos tanto quanto seja possível enquanto para MV seria particularmente útil trabalhar uma média de velocidade de 85% a 95-100% do limiar anaeróbio, aumentando o volume da carga progressivamente.

    Por fim, podemos relacionar as informações acima com as características individuais de nossos corredores e tentar obter de cada sessão de treinamento de nosso planejamento o máximo que eles podem nos dar.

    Referência Bibliográfica: Marathon Training A Scientific Approach, E. Arcelli e R. Canova .

    Este texto foi escrito por: Ricardo D´Angelo

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