Saiba como funciona o controle antidoping

Depois de lacrados  frascos só são violados se quebrados (foto: Emílio Pedrosa/ www.webrun.com.br)
Depois de lacrados frascos só são violados se quebrados (foto: Emílio Pedrosa/ www.webrun.com.br)

É a manhã nublada de uma sexta-feira em Guarulhos, na Grande São Paulo. Na sala de eventos de um hotel, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) promove o seu Sistema de Formação e Certificação.

Daquela sala, sairão 22 novos Oficiais de Controle de Doping, os OCDs. Obrigatoriamente sem vínculos com clubes, normalmente são profissionais da área (educação física, medicina ou fisioterapia). São eles os responsáveis pelo procedimento do teste antidoping em atletas após as competições, desde a coleta de urina e preenchimento de dados até o envio das amostras para laboratório.

Seleção para o teste– É o OCD quem define os atletas que serão testados. Os critérios mais utilizados são desempenho (os primeiros colocados), histórico (quem já testou positivo) ou suspeita. Uma competição pode ter de um a três OCDs, dependendo do número de provas.

Material– No curso da CBAt está disponível o mesmo material utilizado em uma coleta de urina para exame antidoping. Os OCDs têm um vasto arsenal à sua disposição:

  • Formulário padrão – onde é identificado o atleta, o torneio e outros dados relevantes;
  • Copinho de plástico para a coleta (com bico de dosagem) – onde o atleta urina;
  • Frascos de vidro com tampa rosqueável – este é o recipiente que irá para o laboratório, sua tampa trava após fechada;
  • Embalagens de isopor para transporte;
  • Stickers de identificação para serem colados no formulário – com o mesmo número de controle dos frascos de vidro, são eles que garantem que a urina é de determinado atleta.
  • Procedimento– O OCD preenche o formulário de cadastro com os dados que o atleta fornece e esclarece como será a coleta. Assim que o competidor é notificado, ele tem uma hora para fazer o exame, podendo sair da sala de controle nesse período.

    Porém, a partir da notificação o atleta é acompanhado o tempo todo por uma escolta, que vira sua “sombra”: onde quer que o competidor for, será acompanhado, inclusive se for ao banheiro. A coleta de urina é feita na presença do agente de controle, seja o OCD ou a escolta contanto que seja uma pessoa do mesmo sexo que o atleta.

    Após a coleta, o OCD mede a densidade da urina com um refratômetro ou com um medidor descartável. Se o nível não for adequado, é necessário o fornecimento de outra amostra. “O atleta não pode tomar muita água, senão a urina vem muito diluída, o que impossibilita a detecção das substâncias testadas”, explica Thomaz Mattos de Paiva, presidente da Agência Nacional Antidoping (Anad) da CBAt.

    Nesse procedimento de teste da densidade, há o cuidado para não contaminar a amostra. O oficial utiliza o bico dosador do copo plástico para extrair uma pequena quantidade de urina, sem qualquer contato com o resto do conteúdo. Em todo o processo, a urina do atleta fica protegida de qualquer contaminação externa.

    Finalização– Caso a densidade esteja em um nível aceitável, o OCD transfere a urina para os frascos de vidro (amostra A e B) e os lacra. O atleta confere o formulário e, se não estiver de acordo com algum procedimento, relata a não conformidade em um dos passos algo que Simone Alves não fez, por exemplo.

    Depois que o atleta assina o formulário, os frascos são colocados em um recipiente de isopor e enviados para análise no Ladetec, laboratório da UFRJ. É lá que será testada a presença de substâncias ilegais.

    Confira a seguir um vídeo mostrando o procedimento durante o treinamento da CBAt:

    Este texto foi escrito por: Paulo Gomes

    Redação Webrun

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