Saiba quais são e como tratar os ferimentos causados pela corrida

O colunista do Webrun Dr. José Marques Neto fala sobre os ferimentos que podem ocorrer na nossa pele durante as atividades físicas.

A pele do ser humano é o maior órgão do corpo, e composta por três componentes diferentes: epiderme, derme e tecido celular subcutâneo. A pele está sujeita a sofrer diversos ferimentos que podem acometer a integridade da mesma, como bolhas, escoriações, cortes e lacerações. Vamos agora abordar estes tipos mais frequentes de ferimentos que podem ocorrer durante a prática de atividades físicas.

As escoriações são muito dolorosas, necessitam de cuidados imediatos como a limpeza com soro fisiológico Foto: lzf/Fotolia As escoriações são muito dolorosas, necessitam de cuidados imediatos como a limpeza com soro fisiológico Foto: lzf/Fotolia

Bolhas: surgem a partir do atrito entre um objeto e um ponto da parte externa da pele, a epiderme, e causam a formação de um espaço que conecta a epiderme com a derme. Este espaço é preenchido por líquido seroso ou até mesmo sanguinolento, fato que causa extremo desconforto e dor ao corredor quando este espaço é comprimido ou apertado. O tratamento SEMPRE deve ser feito por um profissional capacitado, e envolve a limpeza cuidadosa do local, a punção do líquido por orifício muito pequeno através de seringa e agulha, e curativo oclusivo para proteger de possíveis infecções.

Escoriações: lesão superficial do tecido cutâneo na qual ocorre uma perda da epiderme e consequente exposição das camadas mais profundas como a derme a suas terminações nervosas. Muito dolorosas, necessitam de cuidados imediatos como a limpeza com soro fisiológico para retirada de partículas estranhas e assim evitar infecções, curativo oclusivo, analgésicos e até antibióticoterapia.

Corte: definido como uma penetração na pele que resulta em sua abertura e consequente sangramento dependendo da profundidade da lesão. Cortes suficientemente profundos ou extensos podem requerer tratamento através de sutura cirúrgica. Os cuidados em relação à lesão são limpeza rigorosa da região com soro fisiológico, remoção de partículas estranhas, sutura da lesão se necessário e curativo oclusivo para a proteção da mesma e diminuir o risco de infecções.

Laceração: lesão grave que pode afetar as camadas de tecidos mais profundos, como tecido adiposo e muscular, é caracterizada pelos bordos irregulares da pele, sangramento abundante, maior risco de infecção, e tratamento através de sutura na imensa maioria dos casos. Outras estruturas também podem ser acometidas, como tendões, nervos ou ligamentos, portanto o encaminhamento do corredor a um centro especializado é de primordial importância, para que o tratamento adequado seja realizado por profissional capacitado. O uso de antibióticos é altamente recomendado, assim como a profilaxia contra o tétano. Um período maior de recuperação será necessário, pois as suturas normalmente levam de 10 a 14 dias para cicatrizar.

Este texto foi escrito por: Dr. José Marques Neto

Dr. José Marques Neto

Dr. José Marques Neto

Graduado em medicina pela Universidade de São Paulo (USP) e em cinesiologia, Magna Cum Laude, pela Texas Christian University,
nos Estados Unidos. Médico especialista em Medicina do Esporte pela SBME e em Ortopedia e Traumatologia pela SBOT, pós-graduado em Fisiologia do Exercício pelo Instituto de Ciências Biológicas-USP e em Biomecânica da Saúde e Atividade Física pela Universidade Gama Filho. Consultor em Medicina do Esporte das revistas Contra Relógio e Women's Health, e do site Webrun. Médico do Esporte do Instituto VITA em São Paulo.

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