Saiba qual a bike ideal para você começar no triathlon

Escolha uma bike usada, o mais simples possível, para você aprender a cair, sem ficar (tanto no prejuízo) e até para tirar à prova se é isso mesmo que quer para a vida.

Se eu pudesse resumir em um só conselho, antes de você sair feito um louco desesperado atrás de uma bike dos sonhos, seria esse. Aliás, para começar, não se inicia nesse esporte diretamente em uma bike de triathlon, mais conhecida como TT ou contra relógio.

O motivo é simples. Por serem bikes mais agressivas, onde a troca de marchas é na frente, elas requerem uma habilidade maior do ciclista, além de terem um posicionamento mais inclinado que o normal. Basicamente o que difere um modelo road do triathlon, está na geometria e na angulação dos tubos do quadro da bike.

Enquanto na bike road você tem os freios na lateral, na TT eles ficam na frente. O banco é mais inclinado e consequentemente você faz menos força para pedalar que na road. Por outro lado, precisa ter muito mais domínio da bike. Afinal, já pensou em uma queda a 50km/h? É praticamente cair de uma moto.

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Minha primeira road, uma Specialized Allez de 1994, usada, por R$ 1.000 para só me ajudar a perder o medo de cair Foto: Arquivo pessoal Minha primeira road, uma Specialized Allez de 1994, usada, por R$ 1.000 para só me ajudar a perder o medo de cair Foto: Arquivo pessoal

Na road, você pode conseguir os mesmos 50km/h ou até mais, mas terá que fazer mais força, já que seu corpo não estará tão inclinado e a angulação da bike é diferente. Isso significa que você sentirá mais cansaço que um atleta que estiver fazendo o mesmo percurso em uma TT. Porém, aí é que entra o treinamento. Quanto mais condicionado e mais domínio você tiver em uma road, mais controle da bike você deverá ter em uma TT (embora a maioria dos atletas acabe ficando com as duas bikes para revezar nos treinos de força e velocidade).

Ou seja, se você acha que entende de bike porque faz spinning na academia ou pedala nos finais de semana de mountain bike com os amigos, esqueça. Ciclismo é algo completamente diferente. Triathlon então nem se fale. Hoje, vou falar somente da bike, mas em outro momento vamos conversar também sobre as diferenças entre você fazer a transição da corrida em uma bike road e em uma TT. Isso fica para outro post 😉

“Aconselhamos o atleta sempre iniciar em uma bike road por ela ser mais fácil de controlar, pela questão dos ângulos do quadril e do ponto de apoio do guidão”, explica Cássio Abreu, responsável pela equipe de triathlon da Run&Fun. Com exceção da sinalização e a hidratação, não é necessário tirar a mão do apoio (e consequentemente dos freios e das marchas) reduzindo, desta forma, o risco de quedas.

Minha primeira bike erro, comprada de um conhecido. Uma Cervélo fora de linha, mas ainda assim uma bike de triathlon para alguém que não tinha a mínima habilidade sequer de saber onde ficava a troca de marcha. Detalhe pra o tênis no lugar da sapatilha. - jamais façam isso! Foto: Arquivo pessoal Minha primeira bike erro, comprada de um conhecido. Uma Cervélo fora de linha, mas ainda assim uma bike de triathlon para alguém que não tinha a mínima habilidade sequer de saber onde ficava a troca de marcha. Detalhe pra o tênis no lugar da sapatilha. – jamais façam isso! Foto: Arquivo pessoal

A experiência (péssima) de quem pula etapas

Por falta de orientação, há um ano, pulei a etapa da road e fui direto para a TT. Comprei a bike de um conhecido e comecei a pedalar de tênis, já que não tinha habilidade em calçar a sapatilha outro erro terrível para quem está começando.

Além de vários tombos desnecessários, tomei um susto que me custou sete pontos na mão, a perda parcial dos movimentos dos dedos por uns meses e um trauma de achar que não conseguiria mais subir na bike. No acidente, perdi o controle da bike na estrada sozinha ao tentar tomar água (pasme!), caí em uma mureta de cimento e machuquei a mão, pois estava sem luvas (outro erro total de iniciante).

O reinício na Road

Com o trauma, mudei de assessoria e escolhi comprar um road usada de um triatleta gordinho aposentado. Para quem não sabe, existem vários grupos no facebook administrados por atletas, que vendem e trocam produtos e equipamentos de triathlons usados (https://www.facebook.com/groups/228505187216275/). É uma boa saída para quem está começando no esporte, não tem muita grana para gastar e quer ver se vai encarar o medo, os tombos, e, especialmente, a rotina dos treinos.

“Meu conselho é sempre começar com ela. As pessoas tendem a descrever um monstro quando alguém vai usar a sapatilha a primeira vez, mas quando bem ensinado, ela é simples de aprender”, diz o coach.

A verdade é que você vai cair muito até encaixar o esquema da danada. Vai irritar, em alguns momentos o joelho vai sangrar, mas uma hora, do nada, para. Simplesmente entra no automático e de repente, lá está você tentando pegar o vácuo no pelotão com a bike. Calçar e descalçar a sapatilha vira algo tão automático que você até esquece que está com ela no pé.

Meu primeiro investimento no triathlon com uma bike road da marca nacional Soul Cycle. Comprei uma semi-nova em uma loja (não esqueçam sempre de exigir a nota fiscal), para começar a treinar mais forte e conseguir acompanhar o pelotão da minha equipe. A bike é excelente no tempo de resposta, super leve, me dá bastante segurança, apesar de logicamente já ter tomado alguns capotes Foto: Arquivo pessoal Meu primeiro investimento no triathlon com uma bike road da marca nacional Soul Cycle. Comprei uma semi-nova em uma loja (não esqueçam sempre de exigir a nota fiscal), para começar a treinar mais forte e conseguir acompanhar o pelotão da minha equipe. A bike é excelente no tempo de resposta, super leve, me dá bastante segurança, apesar de logicamente já ter tomado alguns capotes Foto: Arquivo pessoal

Achar que vai perder o medo da sapatilha e da própria bike no rolo é engano. Por experiência própria e até pelas orientações do coach, lugar de ciclista é na rua. Treino indoor é complemento, mas é caindo que se aprende. “Conforme a pessoa vai ganhando experiência, além de virar uma coisa automática (assim como quase tudo no ciclismo), essa preferência de lado (que cai ou que toma impulso) tende a diminuir bastante. O rolo é uma boa alternativa para superar o medo, mas o receio estará lá e só será superado quando andar com a sapatilha na rua”, afirma Cássio.

Aos poucos, minha bike velhinha começou a encaixar a ponto de mesmo fazendo muita, muita força, ficar para trás do pelotão. Depois de quase seis meses me acostumando a acordar às 4h, pedalar com três calças e quatro blusas para agüentar o vento frio da madrugada, resolvi que iria investir em uma bike road de verdade.

Sendo assim, se eu pudesse dar um conselho, vá com calma. Não só pela bike, mas é porque cansa cair, desanima quando você leva um tombo mais grave e o corpo demora a acostumar a levantar tão cedo. Mesmo pra quem é corredor e acorda às 5h. Uma hora na cama a mais faz diferença. E, no caso do triatlhon, não são apenas algumas horas a mais na cama, mas alguns $$$$$ a mais na conta que você vai passar a colocar a conta do treinamento-inscrições-equipamentos e que, por mais que as pessoas insistam em dizer que é um esporte elitista, ele é sim para todos, mas desde já eu aviso que você terá que aprender a fazer renúncias.

Minha bike de triathlon foi pesquisada, sonhada, chorada, parcelada e finalmente conquistada. Peguei um modelo de entrada zerado da Trek, pela garantia da marca em eventuais problemas que eu tiver com o equipamento e porque, de fato. O investimento logicamente é mais alto, mas vai mais me atender nos próximos anos. Por incrível que pareça, tomei só um tombo ridículo com ela Foto: Arquivo pessoal Minha bike de triathlon foi pesquisada, sonhada, chorada, parcelada e finalmente conquistada. Peguei um modelo de entrada zerado da Trek, pela garantia da marca em eventuais problemas que eu tiver com o equipamento e porque, de fato. O investimento logicamente é mais alto, mas vai mais me atender nos próximos anos. Por incrível que pareça, tomei só um tombo ridículo com ela Foto: Arquivo pessoal

A parte boa e é essa que eu quero que você leia no final deste texto é: a sensação de pedalar é única, indescritível, absurdamente libertadora e totalmente diferente da corrida e da natação. O vento na cara, a adrena e o próprio medo são transformadores no seu dia a dia como atleta, profissional e até na vida pessoal.
Não é papo de louco. Se o bichinho da bike te pegar, se cuida pra não enlouquecer, vender o carro e gastar tudo em uma nave de duas rodas, rs.

Bons treinos!

Este texto foi escrito por: Giselli Souza

Redação Webrun

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