Seleção Brasileira de Juvenis: futuro promissor

O primeiro lugar do atletismo nacional nos Jogos Sul-Americanos, competição realizada de 1º a 3 deste mês em Belém (PA) e válida pelo Campeonato Sul-Americano Juvenil, mostrou que o país vive uma ascensão de novos valores para a modalidade.

O bom momento é evidenciado pelos destaques individuais, recordes e resultados técnicos, mas é preciso que haja paciência, seriedade e pé-no-chão para que o futuro promissor se torne realidade com naturalidade. É o que diz Luís Alberto de Oliveira, diretor técnico do Centro de Treinamento de Alto Nível (Cetan) de Manaus (AM) e um dos treinadores da seleção nacional de atletismo.

É preciso, de acordo com Luís Alberto, “ter paciência, pois algumas das provas em que o Brasil se destacou foram de velocidade, na qual os resultados aparecem rápido, ou seja, em cinco anos, diferente das de meio-fundo, onde se precisa de 10 anos para alcançar boas marcas”. Também é importante, segundo o técnico, “que essa nova geração tenha humildade para continuar trabalhando e atingindo grandes resultados e que esse trabalho tenha continuidade mesmo com todas as dificuldades financeiras”.

Para Luís Alberto, “a participação do Brasil no Sul-Americano Juvenil foi a melhor do país em matérias de resultados já alcançada em todos os tempos, já que antes o que se via eram destaques em uma ou duas marcas”.

O técnico destacou a performance dos atletas Mônica de Cássia Nascimento Freitas e de Danionison Pereira Sarkis, que fazem parte do Cetan da Vila Olímpica de Manau. A atleta conquistou a medalha de ouro no revezamento 4 x 100m e o quarto lugar nos 100m com barreiras, enquanto que Danionison, que é da categoria Menores, ficou em quinto no lançamento do martelo. “A Mônica foi excelente pois atuou em conjunto mostrando sentido de equipe. Ela possui muito potencial e é preciso que haja continuidade. O Danionison ainda é da categoria Menores, ainda vai para o Juvenil e precisa melhorar, já que a nível de Brasil está bem”, analisou Luís Alberto.

O resultado de Thatiana Regina Ignácio (BM & F Atletismo-CAIXA), que venceu os 100m com 11.57 e superou o recorde anterior de Esmeralda de Jesus (11.58) que perdurava desde 1976, foi bastante festejado pelo técnico Katsuhiko Nakaia, que treina a atleta e que é coordenador da modalidade na cidade de Guarulhos (SP).

Ele disse que o recorde já era esperado bem antes do Campeonato Sul-Americano. “Na verdade, já esperávamos essas boas marcas para o Mundial Juvenil disputado em Kinsgton, onde calculamos que ela poderia alcançar 11,50 ou 11.45 nos 100m. No entanto, ela teve problemas de contusão que a atrapalharam. Mas ela fez tratamento, teve melhora e conseguiu vencer no Sul-Americano”, explicou o treinador.

Katsuhiko Nakaia frisou que o primeiro lugar do Brasil também já era esperado, “haja visto que o domínio do país no continente sul-americano é muito acentuado, daí ter essa hegemonia”. Ainda para este segundo semestre, de acordo com Nakaia, seria importante que “o Brasil disputasse em competições como o Campeonato Centro-Americano nas provas de salto e velocidade”. O treinador ressaltou a “boa safra de atletas juvenis que o país possui atualmente e que não era vista há 20 anos com o surgimento de competidores campeões como Robson Caetano, Joaquim Cruz e Sérgio Mathias, por exemplo”.

“O bom é que temos gente nova e boa conquistando esses resultados”, disse Esmeralda de Jesus, que hoje é treinadora em São Paulo e que no Sul-Americano em Belém atuou na parte de organização.

Para o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Roberto Gesta de Melo, o Campeonato Sul-Americano realizado em Belém foi uma demonstração de que a modalidade está no caminho certo quanto ao desenvolvimento dos atletas. Gesta comentou que “os resultados demonstraram que o país possui um grande futuro no atletismo”. Esperançoso em novas conquistas nacionais para o atletismo, o presidente da CBAt comentou que “a atual geração de jovens atletas é muito forte”.

No Campeonato Sul-Americano disputado no Estádio Olímpico a equipe de atletismo conquistou 64 medalhas 33 de ouro, 14 de prata e 17 de bronze e contabilizando 587 pontos. A delegação da Argentina ficou em segundo lugar com 5 medalhas de ouro, 5 de prata e 5 de bronze. A terceira colocada no Sul-Americano Juvenil de Atletismo foi a Venezuela, que teve 4 medalhas de ouro, 11 de prata e 7 de bronze. Mas na pontuação, os venezuelanos acabaram na frente com 180,5 pontos contra 163 dos argentinos.

O Brasil teve vários destaques nos Jogos. No sábado, último dia da competição, o grande nome foi Bruno Nascimento Pacheco (Vasco da Gama-Caixa), que venceu os 200m com 20.54 e estabeleceu o novo recorde sul-americano da categoria. O atleta foi considerado o de melhor nível técnico no masculino..

Outros grandes resultados foram estabelecidos nos revezamentos 4 x 400, onde os atletas brasileiros conseguiram novos recordes sul-americanos. No masculino, o revezamento marcou 3.06.68 com Diego Venâncio (ASA Sertãozinho), Thiago Chyaromont (Mangueira-CAIXA), Luís Eduardo da Silva (Vasco da Gama-RJ) e Luís Eduardo Ambrósio (ASSEM São José dos Campos-CAIXA). No feminino, a equipe fez 3.40.56 com Juliana de Azevedo (BM & F Atletismo-CAIXA), Raquel Martins Camillo da Costa (Flamengo) e Ana Cláudia Soares (Flamengo).

Este texto foi escrito por: Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt

Redação Webrun

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