Será que a fascite plantar tem saída?

Uma sensação de ardência na planta do pé chega aparentemente sem motivos, isso pode ser um sintoma da tão falada fascite plantar. A inflamação é um grande problema na evolução dos treinos de qualquer corredor, até mesmo dos mais experientes.

A fascite plantar se tornou uma lesão muito comum na população brasileira com mais de dois milhões de casos por ano, atingindo com maior incidência pessoas entre 40 e 60 anos, porém jovens e idosos relatam com certa frequência o problema. O fisiologista do exercício Diego Leite explica que na maioria dos casos a lesão está associada a um encurtamento das estruturas que conectam o osso calcâneo aos dedos do pé.

O fisioterapeuta Claudio Cotter alerta que ao contrário do que as pessoas pensam, na maior parte das vezes não existe processo inflamatório, isto ocorre em casos mais agudos, onde há acúmulo de líquido, dor local e às vezes até mesmo a pele fica quente. “O que observamos nos corredores é um processo de espessamento do tecido da fascia plantar, causado pelo acúmulo de colágeno. Isto ocorre pelo excesso de estiramento do tecido, devido a estímulos repetitivos”, explica.

Devemos estar atentos à sobrecarga que colocamos em nossos pés. A grande quantidade de estímulos, pelo treinamento ou mesmo pelo tempo que ficamos em pé Foto: Stasique/Fotolia Devemos estar atentos à sobrecarga que colocamos em nossos pés. A grande quantidade de estímulos, pelo treinamento ou mesmo pelo tempo que ficamos em pé Foto: Stasique/Fotolia

Causas

Este processo pode ocorrer em várias situações como a mudança de calçado diminuindo o drop, mudança para tênis com sola mais dura, treinamento em pisos mais duros do que se está acostumado ou ainda numa situação de adaptação postural imperceptível, gerando estresse nos tecidos. “Todas estas mudanças podem resultar na fascite plantar, mas para este tipo de diagnóstico é necessária uma avaliação postural”, explica o fisioterapeuta.

O fisiologista Diego conta que a lesão também está associada a um encurtamento das estruturas, que conectam o osso calcâneo aos dedos do pé. “Existem diversas maneiras de se tratar cada caso, podemos destacar os alongamentos com liberação da musculatura plantar, confecção de palmilhas com apoios corretos dos pontos de sobrecarga e adequação do calçado”, conta.

É possível identificá-la com antecedência?

Na maior parte dos casos vale a pena manter o hábito de massagear a sola dos pés com bolinha de tênis, ou outros tipos mais duros. Esta é uma forma de prevenir e sentir se existem pontos de maior tensão, não permitindo assim que se acumulem retrações/aderências.

“Devemos estar atentos à sobrecarga que colocamos em nossos pés. A grande quantidade de estímulos, pelo treinamento ou mesmo pelo tempo que ficamos em pé, pode ser um fator determinante para a redução e prevenção desta lesão”, explica Diego. Vale sempre lembrar que o trabalho de fortalecimento e alongamento destas estruturas também são comprovadamente maneiras de prevenção.

Existe dor no tornozelo sem entorse?

Na maior parte dos casos vale a pena manter o hábito de massagear a sola dos pés com bolinha de tênis, ou outros tipos mais duros Foto: Lev/Fotolia Na maior parte dos casos vale a pena manter o hábito de massagear a sola dos pés com bolinha de tênis, ou outros tipos mais duros Foto: Lev/Fotolia

Como tratar?

Para o fisioterapeuta massagear a fascia plantar ajuda bastante. “Em casos agudos, nos quais a sola do pé está quente, pode-se congelar uma garrafa de água e massagear com gelo por cinco minutos. Mas na maior parte das situações, a avaliação postural é importante para determinar a causa primária”, diz.

Mesmo com essas estratégias, quando o quadro inflamatório se encontra avançado, é importante a avaliação de um ortopedista e de um fisioterapeuta para realizar o tratamento indicado.

Este texto foi escrito por: Christina Volpe

Redação Webrun

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