Sim, elas podem! A história de Joan Samuelson e outras guerreiras

Samuelson durante as prévias olímpicas (foto: Brian Sawyer/ Creative Commons/ NonCommercial-ShareAlike 2.0)
Samuelson durante as prévias olímpicas (foto: Brian Sawyer/ Creative Commons/ NonCommercial-ShareAlike 2.0)

Uma das atletas que mais admiro chama-se Joan Benoit Samuelson. Americana que, além de ter um talento inacreditável ao ponto de ter corrido a Maratona de Chicago este ano em 2h47min50 aos 53 anos, é um dos maiores símbolos da participação feminina nas corridas de rua no mundo, tendo ganhado a 1.a medalha de ouro feminina na maratona olímpica.

O ano foi 1984 e o local foi Los Angeles, EUA, onde aconteceram os históricos Jogos Olímpicos que permitiram pela primeira vez a participação feminina na maratona olímpica, antes restrita apenas aos homens.

A maioria das pessoas se lembra desta prova como aquela aonde a atleta suíça Gabriela Andersen-Scheiss chegou cambaleando, completamente desidratada e descoordenada, devido ao esforço, ao calor e as caimbras, cruzando a linha de chegada e imediatamente caindo nos braços dos médicos.
Realmente foi uma cena muito marcante na história dos Jogos e do esporte, mas a verdadeira heroína nesta prova foi Samuelson, que desgarrou do primeiro pelotão desde o início, impondo um ritmo fortíssimo e que parecia suicída se consideremos a alta temperatura e a elavada umidade que predominava no horário.

Ousadia – Semelhantemente a muitas outras que surgiram após seu feito, Samuelsen demostrou ser uma mulher decidida e ousada, arriscando daquela forma e cruzando a linha de chegada um minuto a frente de segunda colocada.
No ano seguinte venceu a Maratona de Chicago com 2h21min21, sua melhor marca e então recorde mundial. Marca que permaneceu por pouco tempo como recorde mundial, porém por 18 anos como o recorde americano.

Mas os feitos desta heroína não pararam por aí. Mesmo após enfrentar muitas lesões ela correu e venceu várias provas e disputou a seletiva olímpica americana para os Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, aos 39 anos. Além disso, acreditem, aos 50 anos participou também da seletiva olímpica americana para os Jogos de Pequim, antes de anunciar sua aposentadoria.

Samuelson já havia cumprido sua missão não só de ganhar a primeira medalha de ouro olímpica na maratona, mas de provar que as mulheres eram sim capazes de fazer outras milhares de coisas que não lhes eram permitidas.

Este ano felizmente ela voltou atrás e 25 anos após tornar-se a recordista mundial na mesma maratona de Chicago, resolveu disputá-la aos 53 anos de idade, fase em que infelizmente muitas pessoas pensam que não há mais desafios a serem superados na vida. Mais uma vez ela surpreendeu o mundo com sua ousadia e fez um tempo de deixar qualquer um de queixo caído!

Ao exemplo desta brilhante atleta, apesar de ainda encararem muita desigualdade salarial e preconceitos, as mulheres no mundo cada vez mais vem conquistando seu espaço em todos os setores. No Brasil elas hoje compõem cerca de 50% da população brasileira e estão ocupando com maestria seu espaço no mercado de trabalho, na música, nas artes e no esporte. O maior exemplo disso é que em breve teremos uma mulher ocupando o cargo mais alto em nosso país.

Diferente do passado, felizmente hoje vemos cada vez mais Samuelsons, Marilys, Marias, Marcias, Paulas, Adrianas e Julianas por aí trabalhando, educando os filhos, cuidando da casa e ainda treinando e participando das corridas por todo este país.

Sim, elas podem. Sim, as mulheres podem!

Este texto foi escrito por: Nelson Evêncio

Redação Webrun

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