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Síndrome da banda Iliotibial: quando a cirurgia é necessária?

Foto: Fotolia

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Como já escrevi em outros artigos no meu site, estatisticamente, a síndrome da banda iliotibial ou síndrome do atrito do trato iliotibial (SABI) é a causa mais comum de dor lateral no joelho em corredores. Trata-se de uma lesão por uso excessivo, na qual o atrito repetitivo da banda iliotibial (ITB) sobre um proeminência óssea sobre epicôndilo femoral lateral desencadeia reação inflamatória crônica, com áreas de necrose.

Recentemente, estudos biomecânicos têm demonstrando que existe uma zona máxima de impacto em aproximadamente 30 ° de flexão do joelho, especialmente entre os portadores do chamado Geno varo (joelho de cowboy) .

Os fatores ligados ao treinamento incluem aumento excessivo e abrupto do volume de treino e corrida em declive acentuado.

Estudos também demonstraram que a fraqueza ou inibição dos músculos glúteos laterais é um fator causador dessa lesão, principalmente quando ela se cronifica. Quando esses músculos não disparam adequadamente durante toda a fase de suporte do ciclo de corrida, há uma diminuição da capacidade de estabilizar a pelve e controlar excentricamente a abdução femoral. Como resultado, outros músculos devem compensar, muitas vezes levando a um aperto excessivo do trato iliotibial

O tratamento inicial deve se concentrar na modificação da atividade e em uma boa reabilitação, onde a soltura miofascial do trato e o fortalecimento do músculo glúteo médio do quadril devem ser enfatizados e realizados exaustivamente.

Neste período, visando minimizar a perda da capacidade aeróbica, o atleta deve provisoriamente trocar o treino de corrida por atividades que causem o atrito como o ciclismo, transpotting, spinning, a natação e até a caminhada rápida, evitando terrenos com muitas descidas. A prescrição do treino pelo médico do esporte deve, preferencialmente ser feita como intervalada de alta intensidade, de maneira individual e baseada no resultado de uma ergo-espirometria prévia.

A seguir, o paciente é submetido à transição e retorno ao esporte de maneira criteriosa e aumentos de volume e intensidade de maneira bem conservadora.

E quando não melhora?

Felizmente, a lesão é curada com uma boa reabilitação, na grande maioria dos casos. Mas, estudos estatísticos recentes mostram que o número de  indivíduos que não tiveram melhoria com a fisioterapia tem aumentado e atribui-se a isso fatores pessoais como encurtamento congênito e aderências fibróticas fortes do trato ao fêmur acabam tendo mau resultado, não conseguem voltar ao esporte, trazendo frustração para todos.

Apesar de pouco descrita, a melhor opção cirúrgica e que, pessoalmente costumo empregar é uma técnica denominada ZETAPLASTIA, na qual realizamos a retirada do ossinho lateral do fêmur, denominado epicôndilo lateral, seguido do alongamento cirúrgico do trato iliotibial em formato de “zeta”.

À seguir, retorna-se ao programa de reabilitação e o retorno ao esporte ocorre de 4 a 6 semanas, em média.

Referências bibliográficas:

Todd P. Pierce, Samuel J. Mease, Kimona Issa, Anthony Festa, Vincent K. McInerney and Anthony J. Scillia, Iliotibial Band Lengthening: An Arthroscopic Surgical Technique, Arthroscopy Techniques, 6, 3, (e785), (2017).

Abagale Reddy, Julie Bage and David Levine, The Hip, Biomechanics of Gait, 10.17832/isc.2014.24.3.1, (1-21), (2016).

Maarten P. van der Worp, Nick van der Horst, Anton de Wijer, Frank J. G. Backx and Maria W. G. Nijhuis-van der Sanden, Iliotibial Band Syndrome in Runners, Sports Medicine, 42, 11, (969), (2012).

Eric J. Strauss, Suezie Kim, Jacob G. Calcei and Daniel Park, Iliotibial Band Syndrome: Evaluation and Management, American Academy of Orthopaedic Surgeon, 19, 12, (728), (2011).

Joseph U. Barker, Eric J. Strauss, Sameer Lodha and Bernard R. Bach, Extra-articular Mimickers of Lateral Meniscal Tears, Sports Health: A Multidisciplinary Approach, 3, 1, (82), (2011).

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Adriano Leonardi
Médico ortopedista especialista em joelho pela Sociedade Brasileira de cirurgia do joelho (SBCJ). Médico e fisiologista do Esporte pela Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME). Membro da diretoria da Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (SPAMDE) 2018-2022. Fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de medicina de áreas remotas e esporte de aventura (ABMAR). Colunista e consultor em medicina do Esporte dos sites EU Atleta e Globo Esporte. Sócio fundador do Instituto Reaction.
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