Seis meses depois de um acidente que quase acabou com sua vida, triatleta corre maratona em 2h49

Imagine estar no auge da carreira, superando seus limites e atingindo os objetivos que sempre almejou, mas de repente vê tudo isso cair por terra. Terrível, não é mesmo? Foi isso que aconteceu com o triatleta Tim Don, recordista mundial de Ironman.

Timothy Philip Don, é londrino e tem 40 anos. O atleta, que já participou de três Jogos Olímpicos e venceu quatro vezes o Campeonato Mundial de Triathlon (triathlon e duathlon), conhecido também por ter se tornado recordista mundial do Circuito Ironman em 2017.

Foi um dia histórico em Floripa quando o britânico cravou o novo recorde mundial com 7h40min26 (antes era 7h44min29), sendo 44min16 nos 3.800 metros de natação (1min09), 5h06min56 nos 180km de ciclismo (43,8km/h) e 2h44min46 nos 42,2km de corrida (3min54/km). Mesmo com chuva a 17ª edição foi a melhor de todas em termos técnicos.

Tim não parou, continuou sua preparação, agora para o Mundial de Ironman no Havaí, e em entrevista disse estar ‘em sua melhor forma’, mal sabia que dois dias antes da competição seria atropelado durante um treino de ciclismo. Considerado gravíssimo, o acidente fez com que o triatleta fraturasse a vértebra C2, e ficasse imobilizado de cinco a seis semanas.

……..and so it begins 10 minutes cycle at 80watts ?? #trainhardraceeasy #haloC2 #nevergiveup ? @kelly_don_79

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Do céu ao inferno ele sobreviveu ao que poderia ter sido sua morte ou a paraplegia. Tim ainda teve o privilégio de escolher entre duas opções, uma cirurgia que poderia unir suas vértebras, mas comprometeria a mobilidade para sempre ou usar um halo de proteção em sua cabeça e pescoço. Apesar da imensa dor, ele optou pela segunda opção.

Alternativa escolhida, quatro parafusos foram inseridos em sua cabeça para sustentar a estrutura e durante três meses a dor o colocava à beira do desmaio em várias ocasiões. Em entrevista ao New York Times ele mostrou que sua motivação não havia diminuído perante as circunstâncias. “Se vou me recuperar, vou mesmo me recuperar. Irei puxar meus limites e voltar o mais cedo possível, vou tentar voltar ainda melhor do que antes”.

Menos de um mês após o acidente ele já estava se movimentando. Começou a pedalar cerca de dez minutos, mas muitas vezes até perdeu os sentidos devido à pressão dos parafusos em seu crânio. Mesmo assim não desistiu, em janeiro ele tirou o halo e decidiu que correria a Maratona de Boston de 2018.

Em janeiro deste ano, um de seus patrocinadores, a fabricante de roupas esportivas Endura lançou um kit de ciclismo especial “Tim Don”, cujos lucros foram destinados para a recuperação do atleta. O kit, além de contar com grande qualidade, possui cores de sua terra natal, o Reino Unido. “The Don”, impresso no peito da camisa e na perna direita do bretele, além de uma menção ao seu recorde de Ironman, 7h40min23, impresso no bolso de trás da camisa de ciclismo e na parte de baixo das pernas do bretele.

Apesar de pouco antes de Boston o atleta ainda não conseguir movimentar o pescoço para respirar durante o nado, e de ainda existirem dúvidas sobre os impactos do esporte em sua saúde, ele estava confiante, mirando também um Ironman em julho.

E ele conseguiu. O atleta mostrou sua incrível recuperação completando a prova em apenas 2h49min42, não tendo feito nenhum treinamento específico para mesma. Sendo que em Florianópolis terminou a maratona em 2h44min46.

Sua inspiradora trajetória será mostrada em um documentário, que começa no dia do acidente. “Tim Don – The Man with the Halo”, já está com o trailer disponível. Confira!

 

Entre várias iniciativas surpreendentes Tim fez uma declaração em especial que mostra muito de sua força de vontade. “Eu sei que preciso tentar porque estamos todos tentando ser mais rápidos do que os outros, e enquanto eu estou aqui, eles vão tentar quebrar meu recorde mundial. Não quero ser o segundo melhor do mundo. Eu quero ser o melhor, não importa o que custar. Quero dizer, se eu quebrar meu pescoço de novo, eu não poderia fazer isso de novo”.

Quais serão as surpresas que esse ‘super-homem’ reserva para o futuro?

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Christina Volpe

Christina Volpe

Comecei como corredora, depois me tornei jornalista e repórter do Webrun. Hoje sou editora e convivo diariamente com o esporte há 3 anos. Meu coração bate mais forte toda vez que um atleta conquista seu objetivo, uma corrida acontece e assisto uma competição emocionante. Sempre estou aprendendo e dando meu melhor.

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