Tipos de pisada: a divisão realmente é necessária?

O modo como se pisa é determinado a partir das características anatômicas de cada indivíduo como, por exemplo, os tipos de pé, joelho e flexibilidade nas articulações. Cada pessoa pisa de uma maneira, mas costuma-se generalizar em três tipos: neutra, pronada e supinada. Já a ortopedia classifica os pés de três formas: pé normal, plano e cavo.

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O pé normal é o tipo mais comum, onde o peso do corpo é distribuído de forma mais equilibrada. O plano ou chato, toca o chão quase que por inteiro e possui um formato reto. Já o cavo é aquele que tem um arco bem acentuado e curvado, onde a planta quase não toca o chão. A disposição dos joelhos também influencia na pisada, essa articulação pode possuir alguns desvios classificados de duas maneiras: joelho valgo, que consiste na aproximação das articulações e no afastamento dos pés, caracterizando as chamadas pernas para dentro. E o joelho varo, que representa o arqueamento das pernas, promovendo a projeção das articulações para fora.

O ortopedista Fellipe Savioli não concorda com essa divisão, ou em dizer que usar tênis específicos para determinado tipo de pisada vai resolver algum tipo de dificuldade anatômica. “Indico para os pacientes que comprem um tênis em que se sintam confortáveis. Apenas isso, nada a mais, nada a menos. Sim, nós temos pés diferentes, o de um asiático é diferente de um europeu, que é diferente de um afro descendente. E, mesmo dentro das diferentes étnicas, há uma grande diferença do formato”, comentou.

Tênis feitos para determinado tipo de pisada não apresentam uma diminuição no número de lesões, em comparação com os neutros. “Li trabalhos que foram feitos com soldados norte americanos e usar tênis normais ou calçados para um tipo específico de pisada, não trouxe nenhuma alteração nesse quesito”, explica o ortopedista. Para Saviovi, o ideal não é comprar um tênis pensando em seu tipo de pisada, você deve comprá-lo porque é confortável e se sente bem com ele.

Para Claudio Cotter, fisioterapeuta e colunista do Webrun, não são apenas três tipos de pisadas. “São nove grupos ao todo. Em cada subgrupo dos três grupos principais era usado um tipo de tênis, pronador, neutro e supinador, o índice de lesão em média foi muito parecido para todos os grupos. Ou seja, mesmo você usando um tênis mal indicado, com o tempo seu corpo se adapta, não que seja bom, mas este estudo mostrou que o ideal mesmo é que todos usem tênis neutro e é o que temos recomendado na pratica”, diz Cotter.

Em alguns casos o fisioterapeuta trabalha com exercícios posturais estáticos e dinâmicos, apenas em último caso recomenda algum tipo de palmilha compensatória. “Usamos hoje conceitos baseados em estudos da antropologia, desenvolvimento neuropsicomotor e principalmente um método que chamado Força Dinâmica, no qual segmentamos cada parte da passada para treinar com precisão, melhorando assim o controle dos músculos estabilizadores e a qualidade de cada fase do movimento da corrida”, conta Cotter.

O fisioterapeuta não indica tênis para pisada pronada ou supinada. “Não vejo vantagem. Os ajustes para pronadores são genéricos, além disso sei que o trabalho postural e de melhora de resposta dos estabilizadores do tornozelo, geralmente são eficientes para tratar qualquer alteração”.

Este texto foi escrito por: Gabriel Gameiro

Redação Webrun

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