Corrida e saúde mental: saiba como o trail run pode ajudar a depressão

Você conhece alguém com depressão?

Você já teve algum episódio?

Sabia que a depressão pode ser prevenida com algumas atitudes simples?

A ideia deste texto veio enquanto corria e conversava com amigos, alguns relataram já ter tido episódios depressivos, outros tomaram remédio por algum tempo, mas o consenso dentro da conversa é de que “a vida mudou” depois que começaram a correr.

Até aí tudo bem. Como profissional da área, sempre defendo a ideia de que o exercício físico é remédio e prevenção para 99,9% das doenças ou comorbidades.

Foto: Maridav2/Fotolia
Foto: Maridav2/Fotolia

Porém, o que mais me chamou a atenção foi o relato de que “a virada de chave” se deu quando conheceram as trilhas.

Isso me deixou com a pulga atrás da orelha! Consigo entender o que eles falam porque vivo isso, mas como demonstrar ou explicar para quem não tem a mesma realidade?

Com isso, resolvi buscar em alguns artigos, pesquisas e estudos feitos por profissionais renomados. Falando em depressão, tive a sorte de ser co orientado no meu mestrado por um dos maiores estudiosos deste assunto: Prof. Dr. Felipe Schuch, pesquisador que tem meu máximo respeito.

Então, segue o resultado dessa breve pesquisa

Atualmente o termo ‘depressão’ vem sendo divulgado como uma doença ‘nova’. No entanto, Atreteu da Capadócia, no século I a.C., já descrevia um quadro depressivo dentro da conceituação que hoje se faz desta doença (Corrêa, 1995).

O termo depressão era usado, inicialmente, para designar sintomas ou caracterizar estados mentais, sendo que o nome da doença era melancolia. O termo também correspondia a um tipo de temperamento, um estado emocional baixo, infeliz, desanimado e triste.

Foto: Lassedesignen/Fotolia
Foto: Lassedesignen/Fotolia

Independente de quando foi descrita ou não, hoje, a depressão é uma das doenças mais estudadas do mundo, tamanho o número de casos e de custos provenientes desta patologia.

E, casualmente, uma das formas de prevenção com menor custo é a atividade física. Diversos estudos já demonstraram a relação inversa entre nível de atividade física e depressão. Isso quer dizer que, pessoas mais ativas têm risco menor de desenvolver um primeiro episódio da doença. Em indivíduos sedentários as evidências apontam que há um aumento de 4x na possibilidade de desenvolver a doença, se compararmos com pessoas ativas (Schuch, 2011).

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Todos nós conhecemos alguém com está doença, sabemos que ela gera uma série déficits de relação pessoal, produtividade no trabalho e desempenho acadêmico e cognitivo.

Portanto, prevenir este tipo de episódio se torna tarefa fundamental.

Foto: Kittiphan/Fotolia
Foto: Kittiphan/Fotolia

Uma grata surpresa surgiu enquanto elaborava este texto. Na última semana foi publicado um estudo extremamente bem feito, uma meta análise (este é o maior nível de evidência científica possível) que analisou estudos com um total de 267.000 pessoas que moravam na América, Europa e Oceania e foram acompanhados por mais de sete anos.

Resumindo (muito) o estudo demonstrou que independente do seu sexo ou de onde você mora, os altos níveis de atividade física podem diminuir o risco de desenvolver a depressão (Schuch, 2018).

Mas o que tudo isso tem a ver com as trilhas?

Não tenho um dado robusto como o das pesquisas citadas acima, porém nas minhas relações interpessoais, observo que a grande maioria das pessoas está sempre de bem com a vida, consegue resolver problemas sérios com mais tranquilidade do que quem não corre em trilha. Isso é uma verdade absoluta? Óbvio que não. Cada pessoa se relaciona com seu esporte de uma maneira diferente. Pode ser que seja futebol, vôlei, golfe…

Independente do esporte: SAIA DO SOFÁ.

Foto: Karras/Fotolia
Foto: Karras/Fotolia

Focando somente no trail, que é o esporte que acompanho, observo que as pessoas fazem um ‘algo a mais’ do que o simples fato de correr. Elas se conectam com a natureza, e entram em um estado de ‘flow’.

‘Flow’ é um estado mental diferenciado, é uma sensação de plenitude completa. Assemelha-se a momentos de plenitude muito raros, como os feitos em meditação.

Já há estudos como o da universidade de Essex que pesquisou mais de 1.200 pessoas, concluindo que as aquelas que faziam exercícios ao ar livre apresentaram melhoras no humor e na autoestima.  As atividades eram distintas e incluíam caminhada, ciclismo e remo em parques, jardins, fazendas e reservas naturais. O que nos leva a crer que esportes ao ar livre são extremamente benéficos.

Certamente você já chegou em algum parque, respirou fundo e ao sentir o ar puro entrando em seus pulmões, relaxou e se sentiu bem. Agora imagine fazer isso sistematicamente, atingir esta mesma sensação sempre que praticar um esporte? É assim que você se sente no trail: pleno! Em estado de ‘flow’.

Foto: AYAImages/Fotolia
Foto: AYAImages/Fotolia

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Já tentou fazer algumas corridas em trilhas? Caminhadas? Como se sentiu?

Já passou por algo parecido? Tem alguma experiência para compartilhar conosco? Deixe seu comentário.

Fontes

Corrêa ACO. A fenomenologia das depressões: da nosologia psiquiátrica clássica aos conceitos atuais. Psiquiatria Biológica. 1995;3(3):61-72.

SCHUCH, Felipe Barreto. Efeito terapêutico do exercício físico em pacientes internados com depressão grave. 2011.

SCHUCH, Felipe B. et al. Physical activity and incident depression: a meta-analysis of prospective cohort studies. American Journal of Psychiatry, p. appi. ajp. 2018.17111194, 2018.

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Cristiano Fetter

Cristiano Fetter

Mestre em Ciências do Movimento Humano - UFRGS
Sócio Ultra Funcional Place
Founder Raiz Trail

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