E se o Trail Running fosse futebol?

A copa do mundo de futebol inicia esta semana. Então, gostaria de aproveitar esse clima ufanista para fazer um exercício de imaginação. Tente, por breves minutos fazer este exercício…

Nossa seleção já esta na Rússia, finalizando sua preparação e, tenho certeza, que você já viu as diversas discussões sobre a vestimenta (o cabelo, a namorada, os stories…) do Neymar. Você viu o perfil de cada jogador na televisão, sabe a história e a luta deles.

Você sabe o nome do treinador da seleção, mesmo não gostando de futebol e, qual o nome do prefeito da sua cidade mesmo?

“Mas é copa do mundo, amigo. Haja coração” Bueno, Galvão, 1994.

Mesmo o mais desligado dos brasileiros, sabe o nome de metade dos jogadores. Os mais ligados tem o álbum da copa. No seu trabalho, já há uma preparação para os jogos da seleção, os mais viscerais já pediram férias para acompanhar tudo.

Foto: Fotolia
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Todos os canais de comunicação já enviaram seus jornalistas, câmeras, apresentadores. A mídia em torno desse esporte é gigantesco. Muito dinheiro, muito patrocínio, muita propaganda.

É provável que você já esteja em um grupo de whatsapp para discutir a copa, você já baixou um aplicativo ou clicou no link para ter todos os jogos da copa no calendário do seu smartphone. Ahhh, quase me esqueci do bolão, já fez o seu?

É… Futebol é o nosso esporte número 1. Isso é inegável.

Se o ser humano “nasceu para correr” o brasileiro “nasceu para jogar futebol” é algo entranhado na cultura e na alma do brasileiro.

No Brasil, futebol é “o ópio do povo”.

Não vou entrar no mérito de se tudo isso é certo ou errado. Para o nosso exercício, isso não faz diferença.

No Brasil, o segundo esporte mais praticado é a corrida, o que mais cresce é o Trail Running. Então, agora, vamos começar o nosso exercício de imaginação:

“E SE…”
Uma conjunção que significa: 1. No caso de, dando-se a circunstância de; 2. Se acaso, se porventura.

E, se no Brasil, o esporte número 1, fosse o Trail Running?

Já pensou nisso?

Foto: Maridav/Fotolia
Foto: Maridav/Fotolia

Quem gosta desse esporte, talvez tenha pensado. Ou, talvez não, tamanha é a paixão pelo futebol.

Mas vamos lá> imagine que o Trail Running é o esporte mais praticado.

Imagine as escolas colocando circuitos com grama, terra, subidas e descidas, desde o jardim de infância. Imagine as crianças aprendendo consciência ambiental, cuidando e conservando as trilhas por onde passam, desbravando novos caminhos.

Imagine o esforço dos alunos para participarem do campeonato de trail da escola, fazendo parte da seleção do colégio. Imagine o circuito desses campeonatos lotados por pais, familiares e colegas do colégio com banda, bandeiras e faixas.

Imagine os campeonatos nacionais. Já se imaginou correndo provas onde há pessoas dos dois lados correndo e torcendo por você (algo como a prova de Zegama, na Espanha).

Imagine você comprando a camiseta do astro do seu time de trail. Imagine, o jornal nacional fazendo o acompanhamento do treinamento dos corredores, o Galvão Bueno narrando as corridas (certo, isso é dispensável).

Imagine os centros de treinamento, a tecnologia, os estudos que iriam ter para melhorar a performance dos atletas.

Imagine se tivéssemos um Pelé do trail correndo aqui?

Foto: Lukasx3/Fotolia
Foto: Lukasx3/Fotolia

Imaginou?

Pois é, passei algum tempo enquanto escrevia este texto deixando a imaginação rolar… Seria algo sensacional, para mim que sou apaixonado por esse esporte, perfeito.

Mas, voltemos um pouco para nossa realidade.

No esporte que mais cresce do Brasil, não temos patrocínio. No máximo, apoio de algumas marcas. Dinheiro? Salário? O que é isso?

Em maio desse ano o Brasil participou da COPA DO MUNDO de trail, você ficou sabendo? Viu alguma mídia televisiva fazendo a cobertura? Se fez, me desculpem, não vi.

Você viu o esporte espetacular fazendo entrevista com os atletas da seleção? Conhece a história deles?

Pois é, os atletas para participar, devem pagar. Como nenhum tem o salário de jogador de futebol, tiveram que fazer rifas e “dar seus pulos” para conseguirem representar o nosso país.

Infelizmente, nossa delegação técnica contava com apenas dois integrantes, nem fisioterapeuta tínhamos. Só para traçar um paralelo, a Espanha, tinha umas 10 pessoas, somente na parte técnica. Acompanhando atletas nos trechos, coletando as estatísticas, para depois verificar o que deve melhorar para o próximo mundial. Não é a toa que foi a campeã individual e por seleções.

Certo ou errado. Não faz diferença. O ponto aqui é, realizar um exercício de imaginação.

Já imaginamos e sonhamos um pouco durante essa leitura já vimos nossa realidade… Agora é hora de sonhar com os pés no chão. O que fazer para melhorar?

Preciso de ajuda, sozinho não sei. Talvez, se surgisse um “Guga Kuerten” que “do nada” ganha um “super campeonato” e a mídia começasse a dar voz. Talvez, se um “Kilian Jornet” brasileiro assombrasse o mundo com performances e objetivos insanos.

Foto: Lukasx/Fotolia
Foto: Lukasx/Fotolia

Talvez…

Pensei, repensei, vi várias possibilidades, mas não cheguei a um ponto comum. Talvez, nem haja.

Sabe aquela pergunta:

“O BRASIL QUE EU QUERO PARA O FUTURO?” que várias pessoas têm participado…pois é, agora desafio VOCÊ.

“O QUE VOCÊ QUER VER NO TRAIL RUNNING DO FUTURO?”

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Cristiano Fetter

Cristiano Fetter

Mestre em Ciências do Movimento Humano - UFRGS
Sócio Ultra Funcional Place
Founder Raiz Trail

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