Já ouviu falar da “Tríade da Mulher Atleta”? Você pode ter essa síndrome

Cada vez mais nos preocupamos com o bem estar e a saúde. A prática regular  de atividades físicas é um benefício importante para isso, mas tudo que é feito em excesso não repercute bem, é o que diz a Ortopedista e Traumatologista do Esporte, Alessandra Masi. “Com a massificação dos corpos ‘sarados’ pelas mídias sociais, cada vez mais as mulheres buscam o corpo perfeito, com baixo nível de gordura e músculos aparentes”.

Essa pressão que adolescentes e mulheres jovens acabam sofrendo, para obter um peso corpóreo, muitas vezes irreal e biótipo aceitável para certas modalidades esportivas, está por trás de um síndrome conhecida como “Tríade da Mulher Atleta”.

Esse foi o diagnóstico da publicitária Suellen Campana, a corredora soube que se enquadrava no caso após passar por uma série de exames. “Estava treinando normalmente quando senti uma pontada no pé. Continuei pois imaginei que fosse um mal jeito que logo passaria. Porém, quanto mais continuava, mais doía até o ponto de não conseguir colocar o pé no chão”, lembra.

Mulheres praticantes de atividades recreativas ou com performance podem ter a síndrome Foto: Terryleewhite/Fotolia
Mulheres praticantes de atividades recreativas ou com performance podem ter a síndrome Foto: Terryleewhite/Fotolia

Em busca do diagnóstico ela foi algumas vezes ao médico, que diagnosticou uma inflamação, já que não apresentava nenhuma anormalidade no Raio X. Como a dor aumentando e o pé inchando, um amigo indicou a ida ao CETE (Centro de Traumatologia do Esporte – UNIFESP). “Tudo indicava que eu estava com uma fratura por estresse no segundo metatarso. Com isso, me pediram para que contasse todo meu histórico no esporte. Ao saber que, em menos de dois anos, essa era minha segunda fratura por stress, o Dr. Paulo, Médico e Mestre em Fisiologia do Exercício, mencionou a Tríade. Ele perguntou se eu fazia algum tipo de acompanhamento ginecológico e se a menstruação estava normal. Ao saber que não, logo encaminhou para a ginecologia do esporte, para que pudéssemos investigar com mais precisão”.

Entenda

A Tríade da Mulher Atleta é uma síndrome que acomete mulheres que praticam tanto exercícios físicos quanto atividades recreacionais. A baixa disponibilidade energética é o componente chave para a síndrome repercutir os três sintomas, sendo os distúrbios alimentares , amenorreia e até osteoporose. 

A alteração no padrão alimentar pode começar apenas com hábitos de restrição calórica abusiva visando reduzir o peso, para melhora do desempenho ou até mesmo para atingir uma aparência esbelta, podendo chegar até  a casos de anorexia nervosa e bulimia”, explica Alessandra.

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Toda adolescente e mulher fisicamente ativa tem um potencial para desenvolver tal síndrome. As adolescentes acabam sendo ainda mais vulneráveis por alterações biológicas , exigência da sociedade por um padrão esbelto e a preocupação com a imagem corporal na puberdade.

“Hoje sabe-se que mulheres que praticam atividade física de alta performance, podem desenvolver quadro de amenorreia, por um desequilíbrio hormonal, repercutindo diretamente na densidade óssea dessas atletas, o que pode desencadear uma osteoporose precoce”, diz a Ortopedista Alessandra.

Sintomas

O sintoma inicial é a alteração da regularidade menstrual. A falta de energia altera a produção hormonal, levando a ausência ou alteração do fluxo menstrual. Outros sintomas como insônia, mudança de humor, fadiga excessiva, desânimo e queda anormal do rendimento, podem indicar sobrecarga excessiva de treinos com tempo de recuperação e alimentação insuficientes.

Há um aumento do risco de fratura por estresse, que ocorre quando o osso se quebra sem que haja um mecanismo de trauma justificável. Outras doenças que ocorrem em consequência da alteração do sistema hormonal é a perda mineral óssea, que pode contribuir para o surgimento precoce de ostepenia e osteoporose (fraqueza e fragilidade óssea por deficiência do sistema do metabolismo ósseo).

As adolescentes acabam sendo ainda mais vulneráveis por alterações biológicas Foto: Kaspars Grinvalds/Fotolia
As adolescentes acabam sendo ainda mais vulneráveis por alterações biológicas Foto: Kaspars Grinvalds/Fotolia

Como tratar

O Dr. Paulo Puccinelli, mesmo médico de Suellen explica que descobrir o diagnóstico é o primeiro passo. Qualquer alteração do padrão menstrual deve servir de alerta para buscar ajuda médica especializada. “Mulheres que usam métodos anticoncepcionais a base de hormônios perdem esse parâmetro e devem utilizar outros sinais da tríade, como fadiga excessiva, mudança de humor, queda do rendimento nos treinamentos, alterações no sono”.

Após o diagnóstico, a paciente deverá passar por orientação nutricional especializada, adequando assim a disponibilidade energética para determinada carga de treinamento. Assim o equilíbrio poderá ser restabelecido e o sistema hormonal voltará a funcionar normalmente.

O melhor tratamento consiste em adequar a carga de treinamento com a ingestão calórica alimentar adequada. Lembrando que tudo isso deve ser feito de forma multidisciplinar, com médicos, nutricionistas, fisioterapeuta, preparador físico, psicólogo e psiquiatra.

Alerta

“A melhor estratégia seria a prevenção com a informação. Se educarmos os atletas e os profissionais que estão em contato diariamente com as mesmas e até mesmo os pais de adolescentes, quanto aos primeiros sintomas para a detecção precoce, o tratamento se iniciaria mais cedo e com isso a atleta retornará para suas atividades o mais rápido possível, sem maiores complicações”, diz Alessandra.

Após o diagnóstico, a paciente deverá passar por orientação nutricional especializada Foto: Maksymiv-Iurii/Fotolia
Após o diagnóstico, a paciente deverá passar por orientação nutricional especializada Foto: Maksymiv-Iurii/Fotolia

A consciência da importância da alimentação para a manutenção da vida esportiva saudável é essencial. A prática esportiva faz bem à saúde, desde que feita com consciência pensando em uma longevidade saudável.

Resultados

O tratamento é longo, uma vez dentro da Tríade a mulher precisa ter um ciclo completo de 9 menstruações consecutivas para recuperação, caso haja interrupção, volta-se a estaca zero e todos os procedimentos devem recomeçar.

“Voltei de forma gradual. Primeiro com 40% da capacidade de treinos e venho aumentando mês a mês. Hoje percebo que me alimento e treino de forma correta, o corpo responde melhor e mais rápido. Tanto que peguei pódio na primeira prova após a lesão”, conta Suellen.

A corredora deixa seu alerta: “se algo ‘para de funcionar’ ou apresentar alguma dor, fique alerta que isso não é normal. Procure um médico já que uma vez identificado o problema será tratado e curado mais cedo”.

Suellen ainda está em processo de recuperação, mas sente grande diferença na performance pós síndrome Foto: Arquivo Pessoal
Suellen ainda está em processo de recuperação, mas sente grande diferença na performance pós síndrome Foto: Arquivo Pessoal

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Christina Volpe

Christina Volpe

Comecei como corredora, depois me tornei jornalista e repórter do Webrun. Hoje sou editora e convivo diariamente com o esporte há 3 anos. Meu coração bate mais forte toda vez que um atleta conquista seu objetivo, uma corrida acontece e assisto uma competição emocionante. Sempre estou aprendendo e dando meu melhor.

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