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A voz da corrida: você já quis saber quem são e como trabalham os locutores de eventos?

Dois locutores e muitas histórias. Saiba mais sobre essa profissão que traz tanta emoção para as corridas

Algumas vezes não percebemos, mas sem o locutor a corrida de rua fica vazia, sua chegada não tem tanta emoção e aquele friozinho na barriga, que rola alguns metros antes de cruzar a linha de chegada ao ouvir as batidas da música e aquela voz mostrando que você está cada vez mais perto, não acontece.

Quem não tem uma lembrança especial de ouvir seu nome ao conquistar mais uma prova? Pois é, eles são importantes e sem o locutor de corrida fica vazia. Cadu Cortez é jornalista e tem um currículo extenso no segmento. Sua primeira prova de corrida foi a Pão de Açúcar Kids substituindo seu amigo locutor Sindey White, mais conhecido como Bacana, dali em diante não parou mais. Antes disso já tinha participado de eventos de bike, da Redbull e começou a ser indicado.

Cadu na locução da New Balance 15k Foto: Divulgação

Cadu na locução da New Balance 15k Foto: Tiago Rosseti/Divulgação

“Fiz o Ecomotion e foi uma grande escola, pois corrida de aventura não é como de rua. Começa cedo e às vezes acaba cinco ou até seis dias depois. Então haja improviso”, conta. Entre os que mais se orgulha está o Redbull Air Race, uma corrida aérea que a marca trouxe por dois anos ao Brasil e neste mesmo evento bateu o recorde de público registrado até hoje, foram mais de duas milhões de pessoas. “O Aterro do Flamengo estava abarrotado de gente e eu era a voz. Falei para aquele mundo de gente, em inglês e português”.

Leandro Pricoli é outro locutor de inúmeras provas de São Paulo. Começou sua carreira ainda na faculdade de Rádio TV, onde conheceu o esporte em um estágio e se apaixonou ao ver o locutor durante uma prova que participou, que por coincidência também era o Bacana. “Ele me deu várias dicas e orientações e participei do meu primeiro evento oficial em 2009, foi a etapa Primavera do Circuito das Estações. Foi muito desafiador, mas posso dizer que dali em diante tive certeza da profissão que seguiria pelo resto da minha vida”, diz.

Leandro é locutor de eventos há quase 10 anos Foto: Flávio Damião/Divulgação

Leandro é locutor de eventos há quase 10 anos Foto: Flávio Damião/Divulgação

Para Pricoli cada evento tem sua história: “os atletas treinam muito na busca de um objetivo e cada momento é único, mas destaco entre os mais marcantes trabalhar nas Olimpíadas Rio 2016, lá anunciei a entrega das medalhas de prata para a dupla brasileira Ágatha Bednarczuk e Bárbara Seixas e de ouro para os campeões olímpicos Alisson Cerutti e Bruno Schmidt.

“A energia e a emoção tomam conta, faço de tudo para tornar aquele momento inesquecível para quem está se superando e completando o desafio. Busco sempre evoluir e aprimorar o meu trabalho”, conta Leandro.

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Eventos grandes e únicos fazem parte também do currículo de Cadu. “Faço Ironman até hoje e fui locutor do XTerra Amazônia, foi mágico! São eventos cansativos, mas muito prazerosos, alguns atletas até hoje lembram da minha locução. Um para lista de inesquecíveis foi o Desafio Nike 600k, uma corrida que saiu de São Paulo e foi até o Rio de Janeiro, em revezamento, esse deu bolha diária. Ficávamos na praia a espera dos atletas, estávamos em dois locutores, mesmo assim a areia castigou”, diz.

Cadu participou de vários eventos da Redbull como locutor oficial Foto: Divulgação

Cadu participou de vários eventos da Redbull como locutor oficial Foto: Fábio Piva/Divulgação

Falha nossa

Mas não só de memórias boas vivem os locutores. “Micos fazem parte da carreira, mas essa história é mais um sofrimento. Fui pra Amazônia com a maior crise de gota que já tive, me dói até lembrar. Não conseguia andar direito e estava no meio do ‘quadrado maldito’, como eles chamavam o lugar da prova. Não tinha remédio específico, mas a cara deveria estar alegre. Chorei no fim de tudo, alguns acharam que foi de emoção, mas foi de dor mesmo”, relembra Cadu.

Logo na primeira vez que notou o trabalho de um locutor, Leandro já sabia com o que gostaria de trabalhar Foto: Renata Camargo/Divulgação

Logo na primeira vez que notou o trabalho de um locutor, Leandro já sabia com o que gostaria de trabalhar Foto: Renata Camargo/Divulgação

Leandro também teve seus dias difíceis, por exemplo, quando o microfone simplesmente não funcionou e ele fez a locução no gogó. “Teve uma situação em que o primeiro colocado veio de uma rua e o segundo de outra. Sim, isso aconteceu e por essas e outras, sempre encaro a locução como um programa de TV ao vivo, falhas podem e vão acontecer, mas tenho que saber improvisar. É preciso ter bom senso, já que nunca posso ser a atração principal do evento. Não é simplesmente pegar o microfone e sair falando, é preciso preparo. Depois da faculdade fiz uma pós em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte, é preciso se aprimorar”.

Locutores também correm

“Acho que fazer locução de corrida me motivou sim a correr, depois de passar pela bariátrica para melhorar minha saúde, esse esporte virou um estilo de vida. Logo eu que sempre fui do esporte e não da atividade física. Hoje adoro correr no meu limite e me proponho desafios. Isso faz muito bem”, conta Cadu.

Cadu realizou um dos seus sonhos ao trabalhar recentemente na Rádio Capital Foto: Arquivo Pessoal

Cadu realizou um dos seus sonhos ao trabalhar recentemente na Rádio Capital Foto: Arquivo Pessoal

Já Leandro sempre adorou praticar esportes. “Fiz basquete e judô na infância, mas ao me tornar adulto briguei com a balança. Hoje sou mais focado e tenho como planejado correr minha primeira maratona, depois ir aumentando as distâncias e participando de outros desafios. Uso muito a palavra equilíbrio, já que não gosto de nada em excesso e radicalismo”.

E além da corrida, o que rola?

Cadu trabalha como apresentador da TV Cultura e faz alguns trabalhos paralelos como narrar pela Rádio Capital, um de seus sonhos de criança. Também já trabalhou como locutor do Fox Sports, narrou Jogos Olímpicos entre outros.

Leandro atua como mestre de cerimônias em eventos dos mais diversos segmentos, além de locutor profissional e usar sua voz para trabalho como comerciais, entre outros.

Ótimas lembranças nas Olimpíadas do Rio Foto: Arquivo pessoal

Ótimas lembranças nas Olimpíadas do Rio Foto: Arquivo pessoal

Muito mais que só a voz da chegada

“Narrar é uma arte, um dom. Nós nos tornamos parte do evento, da corrida. E a relação que se cria entre locutor e atleta é intangível. Existem clientes que pedem para agência determinado locutor, é interessante como uma voz pode mudar o clima, o humor no início, meio ou fim de prova”, finaliza Cadu.

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“Me considero um profissional da voz e uma das minhas áreas de atuação é a corrida. Amo fazer parte disso, mas preciso sempre buscar novas oportunidades, todos nós podemos fazer muita coisa”.

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Cadu @caducortez
Leandro @locutorleandropricoli

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Christina Volpe
Comecei como corredora, depois me tornei jornalista e repórter do Webrun. Hoje sou editora e convivo diariamente com o esporte há 3 anos. Meu coração bate mais forte toda vez que um atleta conquista seu objetivo, uma corrida acontece e assisto uma competição emocionante. Sempre estou aprendendo e dando meu melhor.
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